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Tipografia Gráfica Sintrense – “Escolher com o coração e em prol da família”

Sónia Firmino
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Já na 3ª geração, a Tipográfica Gráfica Sintrense é uma empresa de cariz familiar, fundada em 1955. Com orgulho, António Simões – gerente atual da gráfica – adiantou ao JEL que “é uma das firmas mais antigas de Sintra”, agora situada na Aldeia Galega. Com António Simões a gráfica entrou na 2ª geração à frente deste negócio familiar, cargo assumido após a morte de seu pai, um dos fundadores da firma. O António já abriu caminho aos filhos, à Íris e ao Pedro, ambos a trabalhar com ele. Tem 62 anos e, como o próprio referiu, “desde os 20 que a minha vida é isto”. O Pedro cedo se juntou ao pai: refere a Íris, que está a tempo inteiro desde 2007, depois de ter concluído o curso de massagista de reabilitação. Ainda tentou conciliar a sua formação com o trabalho na gráfica, mas acabou por “escolher com o coração e em prol da família”. A área acabou por cativá-la, assumindo ela a informatização de todo o sistema.

Hoje, com 6 funcionários, o passa-a-palavra continua a ser a melhor forma de aumentar e fidelizar a carteira de clientes: “nunca tivemos vendedores na rua e continuamos a acreditar que são eles a nossa melhor publicidade. Temos orgulho em continuar a trabalhar com clientes e fornecedores à décadas”. O pai da Íris, acrescenta de imediato: “a Casa do Preto foi o primeiro cliente do meu pai”, logo a seguir veio o Hotel Arribas.

A Íris acredita ter sido “perentório acompanhar a evolução das técnicas e dos processos, sabendo que o que nos diferencia é o trabalho à medida, sem padronização”. A 3ª geração da Gráfica Sintrense, pela mão e conhecimento da Íris e do Pedro, trouxe inovação e centralização ao serviço prestado, porém, a maquinaria da tipografia ainda labuta, pelas mãos de António e do filho, únicos tipógrafos da gráfica numa época em que apesar de já não os formarem, existe um crescente nicho de mercado, apelidado de vintage, que procura os processos manuais, resposta que quase desapareceu no mundo da impressão gráfica.

Para 2020, apesar dos ajustes ainda necessários, a Íris adianta que o foco da Gráfica Sintrense “está na indústria alimentar e na produção certificada e autorizada de sacos de papel e embalagens com tintas alimentares” que, segundo a Íris, apesar de ser uma área já com algum trabalho efetivo tem de ser otimizada. A aposta para este ano é a embalagem: vestir o produto em condições certificadas, respeitando os requisitos obrigatórios de segurança e de sustentabilidade ambiental”.

Questionado sobre o percurso familiar da Gráfica Sintrense, António Simões diz serem raros os negócios familiares que passam da 3º geração: “já li sobre o assunto”. Ainda assim, já há uma 4ª geração de possíveis futuros gráficos, filhos da Íris e do Pedro, ainda muito jovens e a quem a Íris confessa não exercer qualquer tipo de pressão na certeza de que o ideal é deixar que “tudo flua naturalmente, tal como aconteceu comigo e com o meu irmão”.

JEL27 janeiro/fevereio 2020
Sónia Firmino
Sónia Firmino

Diretora Jornal Economia Local (JEL)

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