Segurança e Saúde no Trabalho

Riscos associados à prestação de serviços sociais

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JEL novembro/dezembro 2021

Portugal é um dos países mais envelhecidos da União Europeia o que origina uma crescente necessidade de serviços sociais, nomeadamente, lares, centros de dia e apoio domiciliário. No entanto, é evidente a falta de trabalhadores nestas instituições, agravada pelas exigências atuais da situação pandémica. É difícil recrutar profissionais para esta área de atividade e muitos escolhem trabalhar com idosos apenas porque precisam de um emprego, e não porque se sentem motivados para isso ou queiram fazer carreira nesta profissão.

Perante esta escassez de recursos humanos, o cuidador formal pode ser submetido a excessivas cargas de trabalho organizadas em horários por turnos (diurnos e noturnos) e muitas vezes há inexistência de pausas ao longo da atividade laboral, o que pode gerar doenças físicas, mentais e a um crescente registo de acidentes de trabalho. Segundo a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, existe uma forte associação entre esta categoria profissional e problemas de saúde física e psicológica.

Os riscos ergonómicos são identificados com regularidade, por aqueles que trabalham diretamente com os idosos. São as posturas extremas e incorretas, o esforço físico aliado à manipulação de cargas, e os movimentos repetitivos que vão causar dores e lesões músculo esqueléticas, cansaço precoce e que acabam por afetar também psicologicamente o trabalhador. São os designados riscos psicossociais (stress, ansiedade, depressão, esgotamento, burnout entre outros) que se relacionam com o papel social que o cuidador formal desempenha na instituição, horários de exigências profissionais, falta de orientação por parte das chefias, violência por parte dos utentes, trabalho de equipa deficiente e sobretudo, um forte contacto com a doença, dor e com a morte daqueles que recebem os seus cuidados diários.

As organizações devem comprometer-se a implementar medidas de suporte, para que os colaboradores possam desenvolver a sua atividade com segurança e qualidade, e consequentemente, reduzir o impacto que estes riscos laborais têm na vida dos cuidadores formais. A introdução da utilização de ajudas técnicas ou mecânicas para a movimentação e manuseamento dos idosos com pouca ou sem mobilidade, reorganização do espaço de trabalho, realização de pausas durante a atividade laboral, organização dos turnos praticados de forma a que permita a recuperação de horas de sono, são exemplo de medidas organizacionais que deverão ser consideradas.

Porém, a implementação destas medidas não é suficiente para resolver o problema da falta de mão de obra. Requalificar aqueles que já trabalham nesta área e impor a obrigatoriedade de uma formação certificada antes do exercício da profissão, será uma forma de valorizar socialmente e economicamente um grupo profissional que na sua maior parte é composto por mão de obra barata e pouco qualificada e deste modo aumentar a procura de trabalho neste setor.

 

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