Segurança e Saúde no Trabalho AESintra

Ginásios em tempos de pandemia

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Desde sempre que a prática com regularidade de exercício físico contribui para uma melhoria condição física e mental. A inatividade física é considerada um dos principais fatores
de risco para as doenças crónicas não transmissíveis e por isso, a prática de desporto moderada ser tão importante. Quando Portugal esteve em confinamento, muito foi falada a necessidade de as pessoas continuarem a ter o hábito de praticar exercício moderado, de continuarem a fazer os passeios higiénicos ou jogging. A corrida aos equipamentos de cardiofitness, bicicletas e elípticas acentuou-se, verificando-se terem estado esgotadas durante dias a fio.

Este cenário foi uma realidade enquanto os ginásios e similares, fechados, lutavam para pagar contas e ordenados. Muitas destas empresas reinventaram-se e disponibilizaram milhares de aulas online para os seus clientes, e assim que tiveram oportunidade para tal, iniciaram as aulas presenciais no exterior (tornou-se comum ver grupos de pessoas a fazer aulas de JUMP, ou de SPINNING em espaços abertos, aguçando a curiosidade de quem passava). A realidade é que os ginásios tiveram de se adaptar a uma nova realidade, em que foi necessário investir centenas de euros em álcool gel, pelicula aderente e desinfetante.

Para além disto, depararam-se com dois grupos de pessoas: as que já estavam sedentas de entrar num ginásio para treinar, e as outras que encontraram no confinamento um modo novo de treinar sozinhos. Olhando para os trabalhadores, instrutores, professores neste ramo muita coisa alterou. A mais notória foi a ausência do sorriso motivador característico dos personal trainners ou do companheiro de exercício. A máscara protege não só do vírus, mas também anula a expressão anímica e incentivadora de um: “aguenta só mais 30 segundos”.

Nas aulas de dança, a sinalética no piso a garantir o distanciamento da regra dos 3m de distância e o receio de não cumprimento por parte dos alunos, influência a fluência de movimentos e o próprio empenho. Os professores redobram esforços para que os alunos possam desfrutar da essência do exercício físico. Os espaços com o cheiro a desinfetante e a necessidade de ventilação suficiente e frequente são outro problema, os halteres, barras, colchões com constantes desinfeções irão diminuir a vida útil do material, tornando imperativo uma substituição antecipada. Esta nova realidade veio dar uma volta de 180º aos ginásios e similares. Veio redefinir regras de segurança no trabalho que já existiam para estes espaços, com o reforço de mais orientações. Espera-se, entre os profissionais da área e os próprios utilizadores que até esta pandemia acabe antes dos riscos psicossociais dispararem.

JEL30 setembro/outubro 2020

Sónia Firmino

Diretora Jornal Economia Local (JEL)

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