Especial edição

Quinta de San Michel – Janas

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Comprada em 2003 por Joaquim Camilo (na foto), a quinta está integrada na histórica região vitícola de Colares. Tem 2 hectares de produção, com duas castas portuguesas – Arinto e Malvasia. Segundo o proprietário, economista de profissão e filho de agricultores, o “entusiasmo” pelo alargamento de vinha foi-se instalando e quando em 2012 comprou uma série de castas para perceber como se desenvolviam no local, as duas acima já nomeadas foram as que lhe deram mais “confiança”.
A Quinta San Michel foi selecionada como um local de teste para clones enxertados para raízes resistentes à filoxera. Joaquim Camilo acredita estar a ajudar a “reviver uma das estrelas do mundo do vinho”, ao mesmo tempo que contribui para o setor vitivinícola da região, outrora um dos mais importantes do país, mas que ao longo do tempo foi perdendo importância. Hoje a região tem pouca expressão, porém, investidores e “entusiastas” do vinho e da vinha têm chegado às freguesias de Sintra com tradição vitivinícola e, na atualidade, é merecido referir que a Quinta de San Michel, em pleno coração da freguesia de S. Martinho, (hoje união de freguesias de Sintra), está a contrariar a tendência que durante algumas gerações assombrou a região.
O JEL chegou à Quinta de San Michel, aconselhado pelo engº Vicente Paulo, presidente da Adega Regional de Colares, que reconhece diferenciação neste projeto. A vinha foi instalada de forma moderna e adequada a uma viticultura economicamente sustentável, aliás, esse é um dos “pontos de honra” de Joaquim Camilo que ao fazer renascer e ao recriar uma casta típica de Colares, quis produzir um vinho de grande qualidade que pudesse trazer valor acrescentado à região. A família fez questão de incluir o nome da aldeia no topo das cápsulas e no contra
rótulo das garrafas, homenageando assim as gentes de Janas, mas também com o objetivo de “ voltar a escrever escrever o nome da região no mapa vitivinícola” .
Em 2017 a quinta começa a produzir o tão exclusivo vinho Malvarinto de Janas. Uma junção única de duas castas: a Malvasia e a Arinto que, citando, “nos deixa muito orgulhosos por ser um vinho especial e único”; é assim que Joaquim Camilo se refere ao ex libris da casa. Na opinião do proprietário, os vinhos produzidos em solo sintrenses
(argilocalcário) deviam ser diferenciados dos restantes vinhos regionais de Lisboa porque a “região tem um potencial único”, mas ”temos de ganhar dimensão, trabalhar bem os nossos vinhos, valorizando-os no mercado, recuperando as castas autóctones que em nenhum outro local de Portugal estão sujeitas às condições privilegiadas do clima e geografia de Sintra”. “A Quinta San Michel não tem solos de areia, mas não tem medo”! Acabamos assim, citando parte do texto escrito no site e lembrando a opinião de Joaquim Camilo que, objetivamente, assume que “o vinho prova-se no copo” e nas vinhas de Janas, Colares e Fontanelas, estão a ser produzidos vinhos de grande qualidade que merecem um denominação diferenciada; “antes de serem vinhos de Lisboa são de Sintra, e Sintra é um fortíssimo argumento de origem e de marketing”.

JEL29 julho/agosto 2020
Sónia Firmino

Diretora Jornal Economia Local (JEL)

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