Especial edição

MAFEP – Empresa familiar de excelência na Abrunheira

Sónia Firmino
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Pai, mãe e filho receberam o JEL num momento de reunião já pouco frequente. Com um sentido de responsabilidade social e comunitária muito forte, a MAFEP é um das empresas familiares de excelência do concelho. Para os poucos que ainda não sabem, o que faz a MAFEP? Tiago Nunes – A MAFEP comercializa, instala e mantém todos os equipamentos e sistemas de Segurança Contra Incêndio. Somos uma empresa de referência no setor que, desde 2012, ininterruptamente, tem conquistado o galardão de PME Excelência.

A MAFEP é assumidamente um negócio familiar; como começou, onde começou e quem a começou? António Nunes – Trabalhava nas oficinas do Banco Espírito Santo como marceneiro e era bombeiro voluntário. Fui convidado para fazer a manutenção dos extintores do Banco. Fui fazendo a formação necessária e nas horas vagas fazia uns biscates. Em 1989 comecei a AFCNunes, empresa que evoluiu em 1991 para a MAFEP.

Onde estava sediada a MAFEP? Ana Maria Nunes – Em São Pedro de Sintra, inicialmente em nossa casa, depois junto aos bombeiros onde eu trabalhava como administrativa e, antes e depois do emprego, também ajudava a MAFEP a crescer. Estivemos os dois assim durante algum tempo, acumulando dois empregos. Inicialmente os nossos clientes estavam mais centrados em Lisboa.

Tiago, quando é que a 2ª geração MAFEP começa a assumir as rédeas? Sempre estive muito envolvido, ia com o meu pai para todo ao lado, nas férias e aos fins de semana. No dia 3 de janeiro de 2000, tinha eu 16 anos, telefonei-lhe e disse-lhe que ia desistir da escola. Do outro lado a resposta foi imediata: “então amanhã vens trabalhar” (risos).

E começou por onde? Passei por todas as funções e aos poucos fui tomando o gosto, especialmente pela área comercial. Em 2005 torno-me o 1º comercial da MAFEP, (só com funções de comercial).

Sente que é a partir de 2005 que a 2ª geração MAFEP começa a trazer mais-valia à empresa? Sim, creio que trouxe inovação aos métodos de trabalho, aos processos e à relação com o cliente. O meu pai sempre esteve mais vocacionado para a parte técnica e operacional. Quando saiu a 1º norma de certificação, em 2006, agarrei-me à questão com muito estudo e leitura. Técnicos, consultores, organizações de certificação….Estávamos todos a aprender! A MAFEP teve um papel ativo neste período e acabámos por ser a 3ª empresa em Portugal certificada na manutenção de extintores.

Ana Maria Nunes – Somos dos primeiros sócios da APSEI – Associação Portuguesa de Segurança. Naquela altura todo o tempo era pouco e ter o Tiago na MAFEP foi uma mais-valia. Ele passou a substituir o pai na representação da APSEI e pode acompanhar toda a normalização do setor. O Tiago agarrou e inovou!

Tiago – Os estabelecimentos passaram a ser confrontados com a obrigatoriedade de instalação de equipamentos de deteção e extinção de incêndios e isso resultou numa  grande alavancagem para o nosso negócio. Em 2007 a MAFEP começou a mudar em termos de layout e em 2010 informatizámos a empresa e os procedimentos. Todos os nossos técnicos passaram a receber formação e certificação em todas as áreas de Segurança, o que fez de nós uma das empresas em Portugal com mais técnicos certificados a trabalhar em Segurança Contra Incêndios.

O recrutamento de técnicos é um problema, assumindo que é uma área muito especializada? Preferimos dar formação interna aos nossos colaboradores. Normalmente quando é necessário recrutar optamos pela nossa rede interna de contactos. Recebemos estagiários da EPAV do curso de Proteção Civil e alguns deles ficaram a trabalhar connosco. Todas as experiências na contratação de técnicos vindos de outras empresas não correram bem.

Que outros valores acrescentou ao negócio familiar, considerando a natural diferença de geração que existe entre si e os seus pais? As empresas começavam a ter uma grande preocupação com a imagem corporativa e institucional e a MAFEP não fugiu às tendências empresariais. Fomos das primeiras empresas a optar pelo fardamento dos nossos técnicos. Apostei muito na imagem da MAFEP, depois da questão da certificação ter sido a grande prioridade.

Há uma 3ª geração na calha para a MAFEP? Tenho filhos e sobrinhos. A minha irmã apesar de ter ajudado fez um percurso diferente. Gostava muito que viessem, mas nunca vou incutir a nenhum deles qualquer tipo de obrigação. Há uma regra, ainda assim; para a próxima geração o 1º emprego não pode ser na MAFEP (risos)…

Porquê? Nunca trabalhei noutro sítio. Uma das poucas coisas que lamento foi a de não ter conhecido outras realidades empresariais. Nunca tive colegas de trabalho porque fui sempre o filho do patrão e isso no início pesava-me. Saí da escola aos 16 anos e no começo o meu pai tendia a ser muito mais exigente comigo porque, naturalmente, era necessário passar um exemplo para os outros colaboradores.

A MAFEP tem mais espaço de crescimento, qual é o foco para este ano? Estamos focados no alargamento destas instalações. É um projeto para começar em 2021. Relativamente ao espaço que ainda temos para crescer é difícil dar-lhe uma antevisão, porque, felizmente, crescemos sempre mais do que o previsto. O objetivo da MAFEP é o foco na área do incêndio, naquilo que somos realmente bons.

JEL27 janeiro/fevereiro 2020
Sónia Firmino
Sónia Firmino

Diretora Jornal Economia Local (JEL)

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