Especial edição

Apametal – Um négocio de família

Sónia Firmino
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A Apametal nasce em 1978 e é a primeira empresa do GrupoMetal, dirigida a partir do Alto do Forte – Rio de Mouro. Adriano Lourenço, precursor do negócio –  1ª geração Apametal – há muito que prepara o caminho da sucessão de um dos mais fortes grupos empresariais sediados em Sintra.

Permita-me começar mais à frente, alguma vez pensou que a Apametal chegaria onde chegou, ou ainda não chegou onde quer que ela chegue? A ambição do ser humano é absolutamente natural…Tudo o que fiz ao longo da vida foi sempre com muito planeamento e esforço. Não nasci em berço de ouro, vivi grandes dificuldades e tudo o que os meus pais tinham foi para investimento na educação dos filhos. Tudo o que construi foi passo-a-passo. Acredito no capital que as pessoas acrescentam às organizações, capital que fica dentro da própria empresa, para investimento em novas unidades, em condições de trabalho, em novos equipamentos, no apoio social aos nossos trabalhadores, em responsabilidade social. Creio que o meu legado são as pessoas e o investimento necessário que deve ser feito nelas.

Já pensava assim em 1978, quando fundou a Apametal? De início a grandeza era necessariamente outra. Éramos uma empresa dedicada aos reclamos luminosos, aquilo que hoje se designa de imagem corporativa. Fomos crescendo para outras áreas inerentes ao nosso próprio negócio e acabamos por entrar na decoração interior dos espaços de loja com peças de merchadising. A produção aumentou significativamente e acabamos por centralizar serviços numa só empresa e nisso fomos pioneiros. Depois de ter feito aquisição de cotas dos vários sócios, fiquei sozinho e essa altura coincide com a entrada do meu filho Alexandre na Apametal.

E como é que chegam ao GrupoMetal? Expandindo o negócio a outras áreas, primeiro com a compra da Tetometal, altura em que é constituído o Grupo. Adquiri toda a parte imobiliária restrita ao Alto do Forte e construímos unidades mais tecnológicas pela necessidade de trazer ao negócio a tecnologia e a robótica. Hoje, o nosso espaço industrial permite-nos ter uma área de laboração de 12mil m2, entre o Alto do Forte e as Covas. Neste conceito de crescimento orgânico, entrámos na área da impressão digital e dos expositores cartonados. O Grupo cresceu também a Norte, onde está sediada a Mafiluz, uma unidade de montagem. Na senda pela Era Digital e percebendo o quanto ela impacta na nossa realidade de negócio, há cerca de um ano criámos a Apatronics, empresa que trabalha com painéis de comunicação digitais, assim como também criámos a DRP- Digital Rent Point, empresa destinada à exploração de publicidade dinâmica e aluguer de painéis Led Full Color.

É naturalmente que o Alexandre, seu filho mais velho, se envolve e começa a trabalhar na Apametal? O Alexandre formou-se em Gestão e começou a envolver-se na Apametal ainda enquanto estudante. Não fiz sobre ele qualquer pressão familiar. Decidiu naturalmente qual o percurso académico e profissional e hoje dedica-se à gestão do Grupo, aliás, cada um de nós tem as suas áreas de atuação bem definidas, claro está, sobre a minha “batuta” (risos).

E o André, como é que o seu filho mais novo se junta ao Grupo? O André está na área do fabrico, formou-se em Marketing e Publicidade e também foi de forma natural que se foi envolvendo. Ele vai ser um elemento valioso na gestão fabril.

E o futuro do Grupo, passa pelos seus dois filhos? É necessário preparar o futuro e há muito que estou a fazê-lo. Tenho a convicção de que nas empresas familiares é necessário pensar na sucessão e na continuidade do Grupo sem a presença ativa dos seus precursores. Isto faz-se ao longo dos anos, nunca repentinamente. O Grupo cresceu organicamente e hoje vai ser mais fácil, quer ao Alexandre quer ao André, fazer o controlo dos vários setores da empresa. Estamos na Industria 4.0, os nossos clientes são muito exigentes e trabalhamos com os maiores e melhores do mercado. O nosso portfolio é muito diversificado o que nos permite em várias áreas ter sempre um controlo de custos, encarando sustentavelmente as cíclicas oscilações do mercado.

São um Grupo preocupado com a responsabilidade social? Sim, partilhamos os nossos resultados com os nossos trabalhadores que neste momento já são 180 espalhados por várias unidades. Em parceria com a edilidade criámos a StartUp Sintra, uma unidade orgânica dentro do espaço Apametal que concessiona o serviço em regime de comodato. A AESintra também está connosco em parceria neste projeto, na vice-presidência. Ajudamos algumas instituições sediadas no concelho, mas lamento que um tecido empresarial como o de Sintra não coopere da forma como seria expectável. Creio que o objetivo é funcionarmos todos em comunidade, porque sem ela não há trabalhadores.

E como equilibra os dois papéis:  pai e gestor dos seus filhos? Nem sempre é fácil! É um treino! Uma vivência!Reunimos sempre às 8H30, antes de cada um de nós começar o dia nas suas áreas. O grupo familiar direto não são só os meus filhos; tenho um sobrinho que é nosso sócio, outro na área da montagem e uma sobrinha na área administrativa. Temos também reuniões familiares de planeamento e durante a semana trocamos sempre muitas impressões. À volta da mesa costumamos ter grandes discussões, somos todos gestores, mas quem pode manda (risos)….

É o sr. Adriano que manda? Não, não partilho dessa ordem de hierarquia fechada. Sou o elemento mais estruturante, mas acredito, claro está, nas ideias que sejam contrárias ao que penso, assim como consigo fazer vingar outras menos atuais, mas que fazem sentido neste crescimento orgânico do Grupo que não comporta saltos precipitados. São experiências acumuladas que eles reconhecem e aceitam…. O que trouxeram os seus filhos….. Juventude, entusiasmo e dedicação. Acredito muito nestas novas gerações porque estão mais preparadas do que eu estava aos 33 anos, altura em que considero ter-me tornado empresário.

Conseguem estar à mesa, em família, sem falar sobre o Grupo? Nunca! Neste regime de gestão partilhada ao dia, momento a momento, um problema não pode crescer. Mais de 50% das empresas em Portugal são de índole familiar e são normalmente PMEs que acrescentam muito valor ao país. Valor esse que fica dentro das nossas fronteiras. Temos apetência e sabemos trabalhar além-fronteiras mas o que ganhamos fica cá dentro. As empresas familiares também podem lidar com problemas de sucessão? Verdade, embora esse não seja o nosso caso. Lembro que um dos problemas das empresas familiares é o receio de terem quadros externos na sua organização, o que connosco também não acontece.

E qual é o modelo de sucessão para o Grupo? Está a ser trabalhado há algum tempo, com cuidado, para evitar conflitos familiares. O Grupo tem de ser familiar ao nível da área de negócio . A família externa não se imiscui nos negócios; este é um princípio que cultivo. Este ano vou ter o meu 1º neto a estudar Gestão Industrial em Inglaterra, área onde registam discretas perdas, mas se e quando estabilizadas, podem consolidar a produção. Conto com o regresso do meu neto daqui a 4 anos. Conto que traga novas ideias ao negócio, tal qual o pai e o tio trouxeram. Gostava de me manter por cá até essa altura, para assistir, envolvido, à entrada da 3ª geração Apametal. •

Sónia Firmino
Sónia Firmino

Diretora Jornal Economia Local (JEL)

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