Especial edição

Adega Viúva Gomes – Almoçageme

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Os Viúva Gomes, vinhos de referência nacional e internacional, tintos ou brancos, são os Colares DOC desta
adega fundada em 1808. O proprietário, José Baeta, explicou que a produção é monovarietal. Num discurso menos técnico, o mesmo é dizer que a produção destes DOCs é feita a partir de uma só casta – 100% Ramisco nos
tintos ou 100% Malvasia de Colares nos brancos – ambas autóctones da região demarcada de Colares. Há produtores na região que optam por juntar outras castas. É uma opção válida,desde que a representação mínima de cada uma seja de 80% do total e o restante a partir de castas autorizadas. 60% da produção da adega vai para o mercado internacional, com os Estados Unidos da América no topo da equação – considerando o número de
garrafas – e a Noruega a par, em volume de faturação.”Atendendo às nossas pequenas quantidades de produção e posicionamento encontrado, os nossos Colares DOC são para nichos de mercado. Temos outros vinhos mais “consensuais”, vinhos de chão rijo (argilocalcário)”. O “Patrão Diogo”, por exemplo, e o novo projeto do filho de José Baeta – o “Pirata da Viúva”. Segundo José Baeta, o seu filho Diogo quis fazer um vinho mais “irreverente”, que descolasse dos clássicos

Viúva Gomes e que fosse representativo de novas explorações no terroir de Sintra. A propósito da criação da IGP Lisboa (Indicação Geográfica Protegida), onde se integram todos os vinhos produzidos em Sintra – fora dos solos
arenosos e de castas variadas -, o proprietário da Adega acha que “estamos a colocar no mesmo saco um vinho
produzido em Colares, com outros produzidos em Torres Vedras, Óbidos e Leiria”. Para contrariar esta indiferenciação, “devia ser criada uma indicação geográfica para os vinhos de Sintra, mas isso obriga uma alteração dos estatutos e até mesmo da lei”. Na eventualidade da proposta ser feita ao IVV (Instituto da Vinha e do
Vinho) ou a CVR de Lisboa (Comissão Vitivinícola de Lisboa), seríamos confrontados com a pequena escala
de produção de selos e de garrafas”. Na sua opinião, José Baeta acredita nas vantagens em dividir Portugal em
3 partes: Vinhos do Atlântico ou Vinhos da Costa; Vinhos da Montanha e Vinhos do Sul, “isto numa primeira e
mais simples aproximação aos vinhos portugueses”. O engenheiro também entende que “falta convencer os restaurantes da região a terem vinhos de Sintra (vinhos locais), destacados nas suas cartas. Esta atitude, simples e objetiva, ajudaria a diferenciar os vinhos produzidos na região de Sintra dos demais vinhos regionais de Lisboa”.
Relativamente à Rota de Vinhos para Sintra, José Baeta diz que começou a ser pensada há 20 anos, mas pouco
avançou. Os produtores fazem o seu próprio caminho, recorrendo a agências de viagens e a marketing próprio.
Apesar da conjuntura ter quase anulado esta valência turística, a adega também aposta no enoturismo com
os open days que realiza, onde o visitante pode conhecer o espaço e fazer provas de vinho. São muitos os que já
visitaram esta adega do inicio do século XIX. Adega que tantas memórias guarda, instalada no largo histórico
da aldeia, lembrando assim a importância que a vinha e o vinho sempre tiveram para a região e para as suas
gentes.

JEL29 julho/agosto 2020
Sónia Firmino

Diretora Jornal Economia Local (JEL)

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