Especial edição

Adega Regional de Colares

Sónia Firmino
Partilhar

É em Colares que fica a adega cooperativa mais antiga do país – Adega Regional de Colares (1931). José Vicente Paulo, presidente há 26 anos, começou por ser o mais novo de todos os cooperadores no cargo a nível nacional. Na atualidade, conforme nos adiantou: “não sou dos mais velhos mas sou o que tem mais anos”. A adega recebe uvas de aproximadamente 20 produtores da região e é de lá que sai mais de 90% de toda a produção do Colares DOC. A partir de 1994, depois de ter sido criada a Comissão Vitivinícola Regional de Bucelas, Carcavelos e Colares a adega deixou de ser entidade certificadora de vinhos. Perdida a capacidade de certificação, Vicente Paulo assumiu como prioridade “a defesa das marcas dos engarrafadores”.

Tendo como referência o panorama nacional é na Adega Regional de Colares que se paga o preço mais alto por quilo de uva. No caso a “Ramisco”, a 3,50 euros por quilo, muito superior aos mais ou menos 50 cêntimos pagos por outras castas, também elas com cultivo na região, mas para produção de vinhos regionais de chão argilocalcário normal; vulgo chão rijo. Vicente Paulo, evoca a adega como “a minha casa”, referindo uma das suas mais recentes preocupações: “preocupo-me muito com a sobrevivência das empresas turísticas ligadas à indústria do vinho. Vejam que a empresa que faz todos os eventos dentro da adega não organiza um único evento desde março. Um terço das vendas da adega resulta do enoturismo, receita agora bastante ameaçada pela pandemia”.

Vicente Paulo acredita no importante papel da adega na defesa das marcas e dos agentes económicos e acrescenta ser determinante diferenciar os vinhos Colares dos restantes, porque, apesar da região demarcada ser pequena “os custos de produção em chão rijo representam 10% da totalidade de custos do chão de areia; tem de existir diferenciação”. Porém, “é um erro nãodar visibilidade a outras castas. O ideal, se tivéssemos mais peso no
Conselho Geral da CVRLisboa, era ter um vinho regional de Sintra fora da denominação de origem”. A produção anual dos Colares DOC é muito pequena, mas em contrapartida Vicente Paulo regozija-se “por recebermos, técnicos, jornalistas especialistas e até agentes da restauração de toda a parte do mundo e ao longo de todo o ano, que vêm exclusivamente a Colares para conhecer a região vitivinícola. Destas visitas resultam comentários extraordinários em revistas e jornais da especialidade com grande notoriedade internacional”. São estes agentes internacionais e o grupo de apreciadores do Colares que divulgam a região”. Questionado sobreas cartas de vinhos dos restaurantes da região, Vicente Paulo diz existir “um problema com a grande maioria delas que não referem
os vinhos produzidos na região deSintra ou, quando os referem, confundem-nos com os da Denominação de Origem”. Acrescenta ainda “não há pior para a defesa dos produtos locais, que agora servem de argumento de venda e socialização às limitações que a Covid 19 impôs, do que chegar a uma determinada região, querer beber um vinho da região e não encontrá-lo nas cartas de vinho”

JEL29 julho/agosto 2020
Sónia Firmino
Sónia Firmino

Diretora Jornal Economia Local (JEL)

  • 1

Deixe um comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *