Especial edição

Adega Beira Mar – Azenhas do Mar

Sónia Firmino
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Com 120 anos de história, esta adega tem como proprietário Paulo da Silva (na foto) que este ano completa 93 anos de idade e há 2 ainda plantou uma nova vinha em chão de areia. O porquê de a ter plantado, tem resposta objetiva: “porque a plantação de Ramisco na região é pouca e a Adega Regional de Colares entrega o que pode, mas o que pode é pouco”. Paulo da Silva -“o Chitas” – como a história local o trata, é um contador de memórias do vinho.

São mais de 60 medalhas de ouro e de prata, as conquistadas pelos vinhos da empresa, e da adega ninguém sai sem assinar o livro de visitas. “A nossa casa é diferente, compramos, arranjamos, vamos buscar à lavoura, temos a nossa produção; é por estas razões que temos tintos tão velhos”. Ao longo dos primeiros anos da adega a produção era exportada em grande escala para o Brasil “mas com a chegada da recessão de 1929, o mundo mudou, e o país irmão deixou de pagar.

Das 18 casas existentes na região, sobraram 5, e a indústria do vinho em Portugal caiu a pique”. Comparou a situação da Crise de 1929 ao momento que “o mundo vive”, apesar das vendas da Adega para o mercado externo estarem a equilibrar a situação. Na atualidade, as vendas dos vinhos da empresa concentram-se no mercado interno e, em larga percentagem, na exportação para alguns países da Europa e Estados Unidos da América: “já há muitos anos que vendo para os Estados Unidos que agora já quer o nosso Colares DOC, mas tudo começou com o Casal da Azenha”.

É naturalmente fácil ficar-se preso ao discurso de Paulo da Silva. Todos os produtores da região vitivinícola de Colares que visitámos reconhecem nele grande sabedoria, experiência e autoridade. Quando introduzimos a resistência do Colares, ao longo dos anos, e até o gradual reconhecimento de vinho de excelência, Paulo da Silva confessou: “A vida do Colares tem sido difícil”, continuou, “resistiu à Grande Depressão, momento da nossa História que desorientou a organização da vinha e do vinho em Portugal.”

Paulo da Silva orgulha-se de ter participado na base da composição de importantes leis, aliás, “fui uma das pessoas que mais tempo passou com o Eng.º Santos e Castro, presidente da Junta Nacional dos Vinhos de 1961 a 1967”. E sobre a denominação de origem controlada e os outros vinhos produzidos na região, assunto que sabe ser motivo de discussão, Paulo da Silva disse-nos: “Colares é o Ramisco ou a Malvasia, tudo o resto é chão rijo, ou Vinho Regional de Lisboa”.

Mesmo considerando que se produzem excelentes vinhos de chão rijo e otimista com a vinda de novos investidores para a região, “considero que a plantação de vinha que a região oferece é única e sua consequente divulgação, deve ser trabalhada com marketing”. Atento, Paulo da Silva acredita que esta questão se instalou com o artigo sobre o Colares que fez página no New York Times, em 2017, e que despertou o interesse no investimento na região. Acabou a nossa conversa com a resposta mais contundente de todas as que deu. À questão sobre a ausência de vinhos da região nas cartas dos restaurantes, também eles da região, respondeu: “é pena que assim não seja”.

JEL29 julho/agosto 2020
Sónia Firmino
Sónia Firmino

Diretora Jornal Economia Local (JEL)

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1 Comentário

  1. Avatar
    Manuel TEVES-COSTA 11 Fevereiro, 2021

    Conheço, respeito e estimo muito o Sr. Paulo da Silva “Chitas”, (que já tem a seu lado um sobrinho, para que o negócio prossega.)
    Sempre oportuno falar do vinho de Colares. Por exemplo, o “Casal da Azenha”, que não é um Ramisco mas é, geralmente, um belo vinho de mesa.
    O Ramisco, por ter pouco grau face à generalidade dos tintos actuais, é pouco valorizado por não iniciados.
    Sugiro-o para uma merenda, com um queijo amanteigado.

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