Entrevista secretária-geral TEMAS

AJ Manata Jardins – Jardins de referência em Sintra

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Sediada em Colares, a AJ Manata Jardins é uma das mais antigas empresas de construção e manutenção de jardins do concelho de Sintra. São 35 anos de experiência de um negócio que está na 2º geração, com os filhos do homem que tudo começou, considerado aqui pelos seus descendentes “um criativo” na conceção de jardins.

O que era a AJ Manata Jardins há 35 anos? Pedo Manata – Diferente, muito diferente. O meu pai nasceu na Sintra rural e desde cedo começou a trabalhar nas quintas das redondezas. Foi essa a experiência que permitiu o desenvolvimento das suas competências no tratamento de jardins; primeiro como jardineiro particular, depois em 1982, com a constituição da empresa.

O que sabe das rotinas de recrutamento da altura? Apesar deste ser um trabalho especializado, na altura, não era encarado dessa forma. Lembro-me do meu pai contar que existia um leilão em Nafarros, onde se procuravam pessoas para trabalhar na agricultura e nos jardins. Era lá que o meu pai ia recrutar trabalhadores e depressa percebeu que se trabalhasse sempre com o mesmo grupo de pessoas, as vantagens podiam ser muitas: fidelizava os homens que lhe interessavam, garantindo-lhes trabalho a médio prazo e rentabilizava tempo, saltando o processo do leilão.

E o Pedro, como é que se envolve?
Aos 12, 13 anos já ajudava o meu pai na execução de alguns orçamentos e na quantificação dos mapas de projetos que há trinta anos eram feitos em papel e entregues em rolinhos. Recebíamos o levantamento topográfico e depois nós é que tínhamos de definir e quantificar os materiais necessários: plantas, terra, etc. A mim calhava-me muitas vezes a rega, numa altura em que só queria brincar. Hoje reconheço a importância desse período porque a maior parte do conhecimento que tenho foi nessa altura que o adquiri. Por volta dos 17, 18 anos, comecei a estudar à noite e a assegurar durante o dia a gestão administrativa da empresa, na altura, a fragilidade do negócio.

Partilhava essa gestão com o seu pai? O meu pai acompanhava as equipas no terreno. O crescimento foi tal que chegámos a ter entre 40 a 50 funcionários, alguns alocados a grandes obras que exigiam acompanhamento continuado, de vários anos. Ele não tinha tempo para dedicar-se à gestão, por isso foi-me confiando a missão.

E como era a vossa relação de pai e filho? Difícil. Tínhamos mentalidades distintas, lembro algumas discussões que felizmente resolvemos com cedências naturais; mais da parte dele. Defendi que era necessário trazer organização ao negócio, área que ele não gostava porque era um criativo. O meu pai envolvia-se profundamente nos projetos, não lhe sobrando tempo para mais nada. Aos poucos fui assumindo cada vez mais a gestão da empresa e os resultados tornaram-se mais sustentáveis. Ele foi delegando tarefas e, inteligente como era, foi-se afastando progressivamente. Felizmente que ainda lhe sobraram alguns anos para desfrutar da vida com a nossa mãe e para continuar a dedicar-se a outras “causas”, como o Sintrense, o clube do seu coração.

E a entrada da Lúcia na empresa, foi também feita naturalmente? Lúcia Manata – De início as plantas não eram para a Lúcia (risos), mas antes de lhe falar no meu trajeto quero lembrar a importância da minha mãe em toda a constituição do negócio de família. Ela trabalhou muito nos viveiros e para isso acontecer eu ficava encarregue, sobretudo, da lida da casa. Formei-me em Sociologia e Planeamento, fiz investigação e comecei a trabalhar por conta própria em 2004. Em 2010, uma das funcionárias entrou de baixa de maternidade. O meu irmão pediu-me apoio e gradualmente,comecei a assumir responsabilidades na empresa, coisa que fiz durante algum tempo em paralelo com a outra atividade profissional.

E que áreas da empresa abraçou? Naturalmente assumi funções que “casavam” com a minha experiência profissional em gestão de projetos. Comecei também por gerir com questões de ordem formal: Formação; Higiene e Saúde no Trabalho; Qualidade; Marketing, etc. Mesmo com o regresso da funcionária foi necessário assegurar serviço e a minha ajuda passou a ser essencial. Liguei-me à questão da informatização da empresa e à gestão das ferramentas de análise e monitorização dos serviços, assim como me dediquei à imagem do negócio e à relação com o cliente. Havia a necessidade de profissionalizar a imagem dos jardineiros, consolidando a ideia de que se está a contratar uma empresa de jardinagem e não um jardineiro.

E como é feita a passagem de testemunho para dois irmãos? Houve choque nas vossas áreas de atuação? Não, felizmente há uma boa relação profissional entre nós. O meu irmão é o especialista em termos operacionais e técnicos, enquanto a minha área é de backoffice puro. A questão de sucessão para o meu irmão foi mais complexa porque ele partilhou com o meu pai a gestão da empresa e a área operacional, com uma mãe sempre presente a gerir as duas personalidades em casa. Pedro – Dialogamos muito e as nossas decisões são partilhados, com respeito pelo trabalho de cada um. Trabalhamos muito a confiança mútua. Pode existir uma situação ou outra que necessite de um maior amadurecimento de parte a parte, mas nunca o fazemos num registo de conflito.

Conseguem ter um encontro de família sem falar de negócios? Sim, família é família.

Nos próximos anos quais são os principais desafios para a AJ Manata Jardins? Lúcia – Temos refletido sobre quem nos sucederá, mas os nossos filhos ainda não estão na fase de decidir o seu futuro. Neste sentido, sabemos que ainda temos ambos muito para dar a este negócio e à própria família. Pedro – Procuramos estabilidade. É necessário arrumar a casa e recolher os frutos dos investimentos que temos vindo a fazer e, por isso, o equilíbrio que falo, dentro dos próximos 2, 3 anos, ser fundamental. •

Olga Figueiredo

Secretária-Geral AESintra

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