Entrevista secretária-geral Associados

“A AESintra é o meu porto seguro”

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A Cooperativa Miminhos Alegres, na Tapada das Mercês, é um equipamento que nasce da resiliência de cinco cooperantes; Flôr Aguiar é uma delas. Trabalha há 20 anos na área, passou pelo ensino especial e hoje é a alma da cooperativa. É lá que as 88 crianças da Miminhos passam “os melhores anos da vida de um Ser Humano”.

Como é que tudo começou? Em 1996, na altura como colégio particular para crianças de um nível social alto, reflexo das características sociais e urbanísticas da Tapada da época. Após o falecimento inesperado do construtor, no auge do crescimento urbanístico, iniciou-se um período difícil. Gradualmente os residentes com maior capacidade financeira foram deixando a Tapada e em resposta a isto o colégio foi fechando algumas salas. Na Tapada ficaram as famílias com recursos mais parcos.

A Cooperativa Miminhos Alegres nasce como reflexo de um período difícil? Em 2008 surgiu a ideia de formar uma IPSS, mantendo parte do funcionamento em regime particular. Iniciámos o processo, mas com a saída da gerência não foi possível concluí-lo nestes moldes. Nesta fase assumi um papel mais pró-ativo no acompanhamento processual, administrativo e de relação com as entidades competentes, batendo de porta em porta…. Assim nasce a Cooperativa de Solidariedade Social Miminhos Alegres, com cinco Cooperantes, eu a Floberta Aguiar, a Isabel Sousa, a Vanda Patrício, a Filomena Almeida e a Luísa Santos.

Foi assim tão fácil como aparenta ter sido? Não, de todo! Quando a Cooperativa assume toda a gestão, alugámos o espaço completo com compromisso de compra e com isso abrimos uma temporada bastante difícil. A Banca demorou a emprestar dinheiro, o senhorio não estava de acordo com as obras propostas de melhoria e a Segurança Social, à luz das exigências legais para estes equipamentos, exigiu-nos uma intervenção de obra profunda. Até conseguirmos comprar o espaço gastámos muito dinheiro em obras.

Qual é o seu grande objetivo para a Miminhos Alegres? Que a mensalidade de todos meninos tenha acordo com a Segurança Social. Temos acordo só com 32 meninos. Pelo 3º ano consecutivo candidatámos-mos aos acordos da PROCOP, nos últimos 2 anos foi recusado alargamento de acordos. Neste momento aguardamos pela resposta da última candidatura.

Quais as valências da Miminhos Alegres? Temos 88 crianças, dos 0 aos 3 anos, distribuídas entre a valência de berçário e creche.

E recursos humanos? Somos 17 colaboradores efetivos, mais um professor de música e outro de ginástica. Temos a sorte de ter uma equipa dedicada, que veste a camisola e que luta connosco para um futuro melhor.

Quais os valores pedagógicos e humanos que defende na relação com estas crianças? Aqui as crianças têm a oportunidade de explorar o mundo, connosco na retaguarda a orientá-las. Cada ser humano deve explorar o mundo com a sua criatividade e a sua vontade, num contexto pedagógico participativo. Temos uma responsabilidade acrescida na formação destas crianças logo em bebés, altura em que têm uma capacidade infinita de absorção do mundo que as rodeia. Desenvolvemos um projeto pedagógico que trabalha a multiculturalidade.

A propósito dessa multiculturalidade, é diferente trabalhar com culturas e etnias tão diferentes? Estamos inseridas num contexto com elevada diversidade cultural, o que traz desafios no apoio à integração destas famílias na sua especificidade (língua, desconhecimento do sistema, entre outros), mas traz também a oportunidade de um maior conhecimento cultural e maior consciência de nós e do outro. E a relação com as famílias…. Sou uma educadora afastada das salas, mas mantenho uma relação próxima com os pais porque a criança deve ser vista como um todo. Somos uma escola aberta e não concebo a ideia dos pais não poderem vir cá sempre que tem vontade de o fazer. Há crianças que estão connosco das 7H às 20H. Algumas das famílias são monoparentais, com graves carências económicas e acumulam vários empregos.

Quais são as suas principais dificuldades? Financeiras! Não gosto de viver em função do dinheiro porque isso tira- -nos qualidade de vida, mas efetivamente os encargos mensais da cooperativa são muito elevados e todos os meses são um desafio.

Como é que a comunidade pode apoiar a cooperativa? Logo de inicio valeu-nos o apoio da Fundação Aga Khan Portugal através do programa K´CIDADE, na capacitação da cooperativa. Ainda hoje contamos com este apoio, sempre que necessário. Temos parcerias com SocialShop, com o restaurante McDonalds da Tapada, e com a Sacolinha de Mem Martins onde todos os dias, antes das 20h, vou recolher produtos. O meu carro transforma-se na carrinha do padeiro (risos). Faço com gosto e com gratidão, esses produtos são para uso interno e para distribuição entre as famílias e colaboradores.

Que apoios gostaria de ter? Temos tido todo o apoio e disponibilidade do Sr. Vereador Dr. Eduardo Quinta Nova, que muito tem dado à nossa causa, no entanto precisávamos de apoio para o melhoramento do nosso espaço exterior. E da parte dos empresários de Sintra…. Das empresas adoraria que alguma me tivesse ajudado a dar um presente de Natal aos nossos meninos, como não consegui, vou pedir ajuda aos pais que são sempre bastante compreensivos. Também era bom contar com apoio ao nível da gestão, que nos ajudassem a ter um plano financeiro de recuperação. Somos educadoras e a parte de gestão é um desafio.

Sente que a AESintra a tem acompanhado neste percurso? A AESintra é o meu porto seguro; é a minha casa. A primeira parceria que fiz foi com a AESintra. Como faz a gestão da sua vida pessoal face à profissional? Não há diferença! Levo e trago tudo de uma esfera para a outra. Tenho momentos para mim que muito prezo – a minha ginástica matinal, o almoço em casa….

Olga Figueiredo

Secretária-Geral AESintra

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