A demanda da (tele)solução

Sónia Firmino
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EDIÇÃO32 – JEL – MARÇO/ABRIL 2021

Se em 2019, escolha qualquer mês ou dia do ano, alguém tivesse cometido a loucura de dizer ao mundo que um ano depois estaríamos todos em esforço para nos mantermos fisicamente afastados, evitando o toque, o abraço e o aperto de mão, numa rotina obsessiva em desinfetar as mãos até fragilizar a pele, obrigatoriamente de máscara na cara, com medo de sair à rua, confinados ao espaço da nossa própria casa, onde, imagine-se, fosse até pedido que um dos elementos do nosso agregado familiar tivesse de estar isolado do resto da família….

(Estamos ainda em 2019, não esqueça)

O que podia ter acontecido à pessoa que tivesse tido a ousadia ou a loucura de desenhar um cenário daqueles? Nunca saberemos nem vamos saber. Tudo aquilo aconteceu. Aconteceu ao mundo inteiro, em modo murro no estômago, mais depressa a uns do que a outros, varreu o planeta e ecoará durante muitos, tantos anos! Não houve tempo para abrir trincheiras ou para convocar os melhores especialistas mundiais para esboçar um impecável plano de ataque. Não houve simulacros. As referências mais próximas datam do início do século XX e, olhando para trás, se já 2019 nos parece uma espécie “há muito, muito, muito tempo atrás” o que podemos dizer de 1918!

(Estamos ainda em 2019, não esqueça)

Estávamos a criar uma sociedade demasiado virtual, desumanizada, fria e calculista. As nossas crianças e adolescentes passavam muito tempo em frente a écrans, não socializavam, eram sedentárias. A robotização era um problema porque a máquina não pode substituir o homem…. A digitalização das empresas e dos negócios, principalmente das mais pequenas, era já uma bandeira içada, mas havia tempo….

Agora, já em 2021, volvido pouco mais do que um ano, sabemos que se esta crise económica mundial não foi mais grave, isso deve-se, fundamentalmente, à faculdade que a sociedade adquiriu para funcionar online, qualquer que seja distância física, fator que agora nem sequer pesa na equação.

Valeu-nos o “tele”. O teletrabalho, a telescola, as (tele)reuniões, os (tele)encontros, a (tele)amizade, enfim, a (tele)solução para tudo. Importa referir que tudo o que não pode ser “tele” foi “essencial”; a começar por todos os que estiveram e ainda estão na designada primeira linha de resposta à pandemia.

Portanto, esta edição do JEL – que também já está digitalizado – é fundamentalmente orientada para as (tele)soluções que o mundo pôs a funcionar durante o último ano. Somos uma sociedade diferente, mais preparada, mesmo que a aprendizagem tenha sido forçada. Já não voltamos atrás e, no que à economia local diz respeito, aquela que maior foco traz à AESintra, quem não apanhou o comboio não pode resistir; na próxima paragem é entrar.

EDIÇÃO32 – JEL – MARÇO/ABRIL 2021
Sónia Firmino
Sónia Firmino

Diretora Jornal Economia Local (JEL)

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