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JAMOR 2017 – O JEL foi conhecer a Patrícia Mamona

JEL
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Ontem, Patrícia Mamona, uma atleta que começou no JOMA, sagrou-se campeã europeia do triplo salto em pista coberta. Hoje recordamos a conversa que tivemos com ela em junho de 2017, no Jamor, durante um treino da atleta. A Patrícia é em grande ser humano, focada e com objetivos bem definidos.

Patrícia Mamona é produto da histórica formação em atletismo do JOMA –Juventude Operária de Monte Abraão, onde começou a treinar com 12 anos. Experimentou os 100 metros barreiras e o salto em comprimentos mas fixou-se no triplo salto. Fomos ao centro de treinos de atletismo do Jamor, assistir a um treino da atleta com José Uva, seu treinador há 16 anos.

Depois do ouro alcançado nos Europeus de Amesterdão em 2016, o nome Patrícia Mamona saltou para a história do atletismo português. Antes disso já muito se sabia desta atleta de elite, que aos 12 anos foi apanhada sem bilhete numa viagem de comboio, entre o Cacém e Massamá, na ida para o treino no JOMA. Viajava às escondidas dos pais que queriam que ela se dedicasse em exclusivo aos estudos.

Da nossa conversa com a Patrícia e com José Uva, quisemos perceber a importância do JOMA na formação da atleta. E foi marcante. Disse-nos a Patrícia: “devo ao JOMA toda a minha formação desportiva e incentivo, lembro que depois do episódio do comboio o clube fez questão de me pagar o passe. No JOMA fiz grandes amigos de quem ainda estou muito próxima, mas era preciso crescer desportivamente a um nível a que o JOMA não chega, daí a mudança para o Sporting, onde já estava o meu treinador José Uva.”

(…) aos 12 anos foi apanhada sem bilhete numa viagem de comboio, entre o Cacém e Massamá, na ida para o treino no JOMA. Viajava às escondidas dos pais que queriam que ela se dedicasse em exclusivo aos estudos.

Poucos sabem que a Patrícia, com apenas 18 anos, foi viver para a Carolina do Sul – EUA, para frequentar o curso de medicina, na Universidade de Clemson. A escolha foi feita depois de ter ingressado em medicina em Portugal, mas logo percebeu não ser possível conciliar os treinos com a licenciatura. Quatro anos depois da mudança para os Estados Unidos, terminou o curso de medicina, sem nunca ter descurado os treinos, e ainda conseguiu ser a primeira atleta portuguesa a superar a marca dos 14 metros no triplo salto numa conceituada prova norte-americana. Durante o período de férias, enquanto esteve a estudar nos Estados Unidos, a Patrícia treinava intensamente com José Uva, já treinador no Sporting, tendo ela ingressado no clube em 2010. Academicamente o curso de medicina que obteve nos Estados Unidos não dá equivalência em Portugal, por isso voltou recentemente à faculdade. Quisemos saber se esse seria o plano B para o seu futuro, ao que nos respondeu; “preciso de novos focos na vida talvez por isso seja tão forte emocionalmente o que me garante boas prestações em alta competição.

A importância do JOMA para o atletismo Português

Segundo José Uva, “é a ambição da Patrícia que a faz tão especial, confesso que já treinei centenas de atletas durante a minha vida e só nela identifico o projeto desportivo que defendo”. Foi assim que o treinador da atleta começou por descrevê-la, lembrando a altura em que se conheceram no JOMA e desde então nunca mais se separaram.

A nossa conversa com José Uva tendeu, naturalmente, para o JOMA. Quisemos saber qual a importância do clube na formação da Patrícia, na perspetiva do treinador. Confirmámos aquilo que já sabíamos. Foi com algum orgulho na voz que José Uva definiu o JOMA “como tendo sido um grande clube de bairro que momentaneamente reuniu um conjunto de pessoas que o elevaram para o patamar de elite na formação desportiva”.

“é a ambição da Patrícia que a faz tão especial, confesso que já treinei centenas de atletas durante a minha vida e só nela identifico o projeto desportivo que defendo”

Continuou o treinador: “o JOMA teve uma autarquia que durante anos apoiou o seu projeto desportivo, criando condições excelentes de trabalho, tão boas que, durante muito tempo, foi o melhor clube em competição jovem, com a melhor formação do país e o melhor campo de recrutamento nacional – a linha de Sintra.” Nesta conjuntura, aliada a bons treinadores e bons dirigentes, o JOMA marcou a história do atletismo português e hoje um grande número de atletas da seleção nacional foi formado no clube de Sintra.

A Patrícia foi uma das atletas do período de ouro do JOMA. Segundo José Uva, ”se ela tivesse aparecido hoje talvez não alcançasse o que já alcançou”. No que concerne aos objetivos para o futuro, o treinador é categórico: “melhorar a marca para fazer nem que seja mais um centímetro; a Patrícia tem 14,65 de marca, o objetivo é que ela faça, 14,66.

JEL – Edição12 – maio/junho de 2017

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