Joaquim Viegas Simão OPINIÃO

Voto de confiança

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JEL 35 – novembro/dezembro 2021

Por ser a primeira vez que me dirijo aos associados da AESintra e demais empresários e leitores do nosso Jornal, entendo que devo apresentar-me com muita esperança e otimismo para encarar os desafios futuros do tecido económico e empresarial de Sintra. Quero deixar uma mensagem positiva e motivacional, acreditando, francamente, que o pior já passou.

Marcou-me a grandeza e a capacidade de resiliência da maior parte dos sócios da AESintra que nos últimos quase dois anos foram obrigados a reinventar todo o modelo do seu negócio, e, como se isso já não bastasse, foram ainda sujeitos, diariamente e sem pré-aviso, a duros e inconstantes cenários que abalaram o que durante décadas foi garantido: a gestão inabalável do seu próprio negócio.

A dinâmica laboral destes empresários foi posta sob um constante bombardear de medidas e restrições governamentais, contraditórias muitas das
vezes, quase sempre injustas pela padronização. Direitos, obrigações, calendário fiscal, agenda contributiva, gestão de recursos humanos, etc, foram assuntos sujeitos a múltiplas alterações, ao mesmo tempo que eram lançados alguns apoios, uns mais avulsos do que outros, numa espiral de informações e comunicações diárias e de difícil entendimento.

Foi pedido a estes empresários que mudassem toda uma rotina empresarial, à porta fechada e sem clientes, e ao mesmo tempo era-lhes dito para se manterem atentos às restrições e mudanças que iam surgindo, de implicação direta na sua atividade. Foi pedido muito! Tanto que foi humanamente impossível dar conta de tudo sem ajuda e por isso muito me orgulho de toda a capacidade organizativa da equipa de técnicos da AESintra, particularmente no apoio prestado. Sei com rigor que se não tivesse sido a proximidade que temos aos nossos associados, cultivada há mais de 70 anos, ex libris que quero manter enquanto for presidente da Direção, nada tinha sido como foi.

A AESintra esteve à altura do desafio. Assumo a presidência da direção da AESintra na fase de rescaldo económico da pandemia. Ainda é cedo para planos empresariais a médio-longo prazo porque os danos foram estruturais e a maior parte dos nossos empresários ainda deparam com a imperiosa necessidade de consertar os alicerces de todo o negócio. Ainda é cedo para planear o negócio num horizonte temporal futuro, pelo menos para a grande maioria do nosso tecido associativo, composto por pequenas empresas, muitas delas familiares.

Correndo o risco de radicalizar o meu discurso, não me parece descabido afirmar que existe uma Sintra económica pré-pandemia e uma pós-pandemia. Assim será para todas as economias do mundo, pequenas ou grandes, nacionais ou internacionais ou até mesmo à escala planetária. Foram muitos os negócios que não aguentaram e as portas foram fechadas, mas foram ainda mais os que saíram da sua zona de conforto e agarraram as oportunidades que foram surgindo.

A equipa que agora presido está otimista, focada no associado. Continuamos juntos, aliás, só assim concebo o futuro.

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