Carmona Rodrigues OPINIÃO

Tecnologias nos negócios e no ensino

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EDIÇÃO32 – JEL – MARÇO/ABRIL 2021

O crescente ritmo do desenvolvimento tecnológico justifica que se volte a este assunto, quase três anos depois de o termos aqui abordado. A pandemia trouxe a necessidade de alargar o uso das tecnologias, particularmente, no caso do ensino. Repare-se no aumento muito considerável de venda de material informático e de escritório. As tecnologias de informação e comunicação (TIC) têm tido um crescente grande campo de aplicação, por exemplo, no ensino, nos negócios, na medicina ou no comércio. Repare-se ainda na facilidade com que hoje se consegue estabelecer comunicação com alguém localizado
em qualquer parte do mundo, com acesso a imagem e transferência de dados, hoje perfeitamente normal, há poucos anos uma coisa saída de um filme de ficção científica.

No caso do ensino, penso que o uso das tecnologias de comunicação tem mostrado um grande potencial. Desde os tempos da pioneira Telescola, que foi um sistema de ensino via televisão que arrancou em Portugal em janeiro de 1965, até ao momento presente, muito se evoluiu. As actuais tecnologias permitem este tipo de ensino à distância de uma forma mais personalizada entre o professor e o aluno. No entanto, também penso que esta forma de ensino não poderá, nem deverá, substituir, de forma permanente, o ensino presencial.

A grande maioria dos docentes e alunos que conheço também assim o entende, reconhecendo que o contacto e a interacção pessoais são da maior importância na aprendizagem, para além do caso do ensino de disciplinas mais óbvias como as que têm necessidade, por exemplo, de experimentação laboratorial ou de actividade física e desportiva. Por outro lado, a experiência também tem mostrado as dificuldades ao nível da avaliação de conhecimentos. Há, contudo, certos perigos no uso destas tecnologias: fraudes informáticas; invasão da privacidade pessoal ou empresarial. Verifica-se um número crescente de crimes, para os quais as autoridades competentes em matéria de investigação criminal têm, também, vindo a reforçar os seus meios de combate.

O fenómeno adquire por vezes contornos de maior complexidade devido às suas características de internacionalização, num mundo que se globalizou muito rapidamente em termos tecnológicos, por vezes sem as cautelas necessárias do ponto de vista da segurança. Foi recentemente atribuído o Prémio Pessoa à Prof.ª Elvira Fortunato, notável cientista de dimensão internacional amplamente reconhecida. É motivo de grande orgulho para todos nós, em particular para mim, como seu colega na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Numa entrevista, a Prof.ª Elvira Fortunato destacou, justamente, o papel importantíssimo que a investigação científica pode ter em situações difíceis, como é o caso da actual pandemia.

Questionamos até onde nos poderá levar o desenvolvimento tecnológico, como por exemplo no caso da inteligência artificial e dos robots, sendo certo que o mundo se debate, ainda hoje, com um enorme número de problemas sérios,
tais como pobreza, justiça, guerra, migrações, alterações climáticas, cuidados de saúde, secas e cheias. É nesta medida que o desenvolvimento tecnológico se deverá orientar para a paz, para a qualidade de vida das pessoas e para a sustentabilidade do nosso planeta, em vez de olhar para o egoísmo, para a ganância ou para a visão de curto prazo.

Carmona Rodrigues

Presidente Conselho Consultivo da AESintra

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