OPINIÃO Convidados

“Sintra com vinho”

JEL
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Por Carlos Janeiro – Blogger e Enófilo

A produção de vinho em Sintra é, ainda hoje, muito ou, atrevo-me a dizer, apenas reconhecida pelos vinhos produzidos emchão de areia em Colares. Por muitas que sejam as razões, históricas, sociais e outras, já bastante discutidas e que agora não vou abordar, a realidade é que a produção de vinho em Sintra não se resume ao Ramisco e à Malvasia de Colares plantadas em chão de areia. Vai muito para além disso e o consumidor deve começar a olhar para Sintra como produtor de vinhos de qualidade.
Nos últimos anos tenho assistido ao nascimento de cada vez mais produtores de vinho que veem os seus vinhos não produzidos em chão de areia serem classificados como Regional Lisboa quando partilham de um terroir único ao nível do chão rijo e do qual resultam vinhos também eles únicos.
Todavia, para o consumidor, que os encontra em garrafeiras ou na restauração é tudo Regional Lisboa, não havendo a atribuição de uma identidade própria aos vinhos produzidos em Sintra que não sejam DOC Colares. Seria sempre uma vantagem haver esta distinção para apresentação ao consumidor de um vinho de perfil único, quer em espaços de venda direta, quer em espaços de restauração ou mesmo no filão ainda pouco explorado do enoturismo. Quando o mapa da região de Lisboa nos brinda com DOCs bem distintos como Bucelas, Óbidos, Carcavelos, Alenquer e Colares, entre outras, a minha pergunta vai naturalmente no sentido de perceber para quando a definição e o nascimento de uma Doc Sintra? Conseguem imaginar o impacto económico que esta implementação traria a Sintra?

JEL29 julho/agosto 2020
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