OPINIÃO

Saúde

Carmona Rodrigues
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Estou seguro de que um dos bens maiores da população é a saúde, particularmente importante na faixa etária mais idosa. O país teima em assistir a um envelhecimento da população, longe de ser compensado por uma subida da taxa de natalidade. A esperança de vida tem subido devido a uma melhoria dos cuidados de saúde, da prevenção, da vacinação e em alguns casos de hábitos de vida mais saudáveis. Porém, o sector da saúde tem sido notícia quase permanente nos órgãos de comunicação social, nem sempre pelos melhores motivos. Não raras são as vezes em que o problema anda à volta da falta de investimento ou de recursos financeiros para a actividade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), nomeadamente, para o normal funcionamento dos hospitais. De acordo com notícias vindas recentemente a público, o SNS terá apresentado, em 2018, um prejuízo de 848 milhões de euros, um agravamento face ao ano anterior em cerca de 502 milhões de euros. Não conhecendo em pormenor as contas, intriga-me a aparente contradição com o anunciado aumento de empregos que se tem verificado. Em princípio, penso que seria de esperar que as receitas do SNS fossem também maiores, com mais pessoas a trabalhar e a descontar para a Segurança Social, ajudando dessa forma a equilibrar o sistema. Creio que a população em geral não está bem informada sobre estas matérias, instalando-se assim um clima de desconfiança. Seguramente que o país não pode viver sem um SNS saudável que não ponha em risco o serviço de saúde para servir as populações, actuais e futuras. Como refere o Conselho de Saúde da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), um subfinanciamento crónico do SNS tem impactos negativos no acesso dos cidadãos à saúde, na organização dos serviços e na motivação dos profissionais. Não sou especialista em questões de saúde, mas ao longo dos anos fiquei com a sensação de que se trata de um sector extremamente exigente, onde os montantes envolvidos são muito avultados e que uma gestão rigorosa e criteriosa pode e deve ser uma preocupação permanente, mais a mais, se atendermos a eventos passados que revelam falta de recursos apropriados, má gestão, desperdício e mesmo, por vezes, corrupção. Tenho ainda presente um debate realizado, ainda não há muito tempo, com diversos responsáveis do sector, sobre a falsificação de receitas médicas, a venda fictícia de medicamentos, os atestados fraudulentos para a obtenção de reforma por incapacidade e ainda o conhecido caso da “máfia do sangue”, todos eles lesando fortemente o Estado em muitos milhões e que reduzem os meios do SNS. O centro das preocupações e acções políticas deve ser, primordialmente, a comunidade em que vivemos. É por isso que se tem vindo a defender um SNS moderno e eficaz, capaz de estabelecer um quadro de desenvolvimento social harmonioso e justo, com uma atenção especial e prioritária aos grupos de pessoas que mais apoio precisam

Carmona Rodrigues
Carmona Rodrigues

Presidente Conselho Consultivo da AESintra

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