OPINIÃO Pedro Ventura

Salvar as MPME´s é salvar o país

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A pandemia tem causado graves danos às MPME’s nacionais. Segundo os últimos dados estatísticos, 47% das PME portuguesas perdeu mais de metade do seu volume de negócios e34% das empresas recorreu ao lay-off total ou simplificado como medida de minimização dos efeitos económicos da pandemia. Contudo, dos 800 mil trabalhadores em ‘lay-off’, 200 mil trabalham em grandes empresas, com mais de 250 trabalhadores, a maioria das quais não precisava de qualquer apoio, dado que são empresas que
continuam a distribuir dividendos pelos seus acionistas.
Regressando ainda às MPME’s, 36% destas ainda não consegue estimar um prazo para a recuperação dos valores de negócio pré-
-pandemia, o que cria um grau de incerteza muito significativo sobre a sua viabilidade a curto/médio prazo. Os setores mais afetados
foram o do turismo, da restauração, comércio por grosso, banca e seguros, imobiliário e ainda o de comércio/oficinas automóveis.
Uma das principais preocupações das empresas durante este período prendeu-se com a sua capacidade de resposta, tendo em conta as diversas alterações decorrentes das várias medidas disponibilizadas pelo governo. Destacam-se as seguintes decisões: adopção do teletrabalho (total ou parcial), não renovação de contratos de aquisição, cancelamento de novas contratações ou mesmo através de despedimento. Para somar a estas decisões, verificaram-se ainda situações de diferimento dos pagamentos à segurança social, fracionamento do pagamento de obrigações fiscais ou contributivas, candidatura ao programa de créditos de apoio às empresas e solicitação da aplicação de moratórias em relação a créditos já existentes.
A reabertura da economia que se iniciou em Maio não está a ter os resultados previsto. O desconfinamento foi mal preparado e planificado, o que explica a situação em que se encontram alguns municípios da Área Metropolitana de Lisboa. Não nos iludamos: a
espada da segunda vaga de covid-19 paira sobre o país e atendendo ao que actualmente está a acontecer no mundo, o ano de 2020, a
que se somará 2021 serão anos de profunda recessão económica e social. É necessário que o Governo Central mostre quais são as suas prioridades: as pessoas ou o capital especulativo.

JEL29 julho/agosto 2020
Pedro Ventura

Vereador da CMS

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