Joana Pascoal OPINIÃO

Resiliência e flexibilidade

Partilhar
Joana Pascoal – Presidente da Associação de Turismo de Sintra – ATS

A pandemia de Covid-19 veio ceifar, abruptamente, um trajeto brilhante do turismo nacional, em geral, e em Sintra, em particular. Em Portugal o crescimento anual percentual do turismo vinha tendo duplos dígitos e em Sintra, ano após ano era ultrapassado o record de visitas nos nossos monumentos.

No ano de 2019, foi possível ter turistas à noite em Sintra. As ruas do centro não ficaram vazias depois das 18h, pelo contrário, estavam cheias de vida e negócio. No início de 2020 parecia que a sazonalidade estava finalmente a ceder e Sintra passava a ser um destino apetecível todo o ano.

Mas em Março, as previsões mudaram radicalmente, o negócio parou de um dia para o outro, sem data de reabertura prevista. Ora, num tecido
empresarial como o nosso, composto maioritariamente por pequenas empresas, muitas de cariz familiar, o impacto foi devastador.

Noutras áreas houve muitos estabelecimentos a fechar, no turismo fechámos todos, primeiro por imposição legal, depois por falta de trabalho. Alguns já não voltaram a abrir. Houve despedimentos e perda de mão de obra qualificada. Muitos resistiram e arregaçaram mangas, mas muita coisa mudou.

Mudaram as exigências dos clientes, agora preocupados com o que antes ignoravam. Mudaram os mercados emissores consoante a pandemia afetava os países e Portugal entrava e saía da lista negra. Mudaram as motivações para visitar Sintra: a natureza, a tranquilidade e a ausência de multidões passaram a ser preponderantes.

Principalmente, mudou o nosso planeamento: a incerteza passou a fazer parte da operação, os cancelamentos são a nota dominante no quotidiano dos alojamentos e tivemos que nos adaptar com políticas de cancelamento mais flexíveis. Essa foi a grande lição da pandemia: trabalhar sempre com grande incerteza, ser flexível e fazer rápidas adaptações ao nosso serviço.

Acresce que num setor como o turismo, a sobrevivência de cada um depende muito do que o rodeia, das redes de trabalho e parcerias, que são fundamentais nestes momentos de crise.

Entidades como a ATS e a AESintra têm responsabilidade acrescida em promover contactos e estabelecer pontes. Pela nossa parte, aceitamos o desafio. Mudou muito, mas não mudou o mais importante: o nosso grande valor é Sintra e a nossa capacidade de bem receber. E isso não mudou, melhorou.

JEL36 – Jan. Fev. Mar. 2022

Deixe um comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *