Carmona Rodrigues OPINIÃO

Quando um Homem quiser

Carmona Rodrigues
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Quer a situação de pandemia, ou certos políticos, o queiram ou não, o Natal será sempre Natal. Natal significa nascimento, significa esperança. E os que não têm esperança sofrem seguramente muito mais. Como dizia Ary dos Santos num dos seus belíssimos poemas:

“Natal é em Dezembro
mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
é quando um homem quiser
Natal é quando nasce
uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto
que há no ventre da mulher”

Vivemos um tempo terrível que já se arrasta há quase um ano e não se sabe ao certo quando passará, apesar das boas notícias sobre a vacina. Tempo esse que tem dado cabo da saúde de tantas
pessoas, e também das condições económicas de tantas famílias e empresas. Para além do enorme desgaste emocional que se vai acentuando com o tempo em tantas e tantas pessoas.

É porém em situações como esta que temos de conseguir ir buscar forças para tentar alterar o rumo dos acontecimentos. Quase todos os sectores económicos têm sido afectados, alguns dos quais de uma forma bastante pesada, como, por exemplo, o turismo, a restauração ou os transportes aéreos.

Felizmente, muitos empresários começaram cedo a perceber isso, e com muito esforço e bastante criatividade têm conseguido fazer face a esta nova situação. É também um período em que todos devemos mostrar, na prática, o significado da solidariedade, para que não seja só uma palavra
vã, que alguns gostam de apregoar em certos momentos, mas que na realidade muito poucos praticam no dia-a-dia. Este pode também ser o tempo de “nascimento” de uma nova cultura, que nos
alimente a esperança de uma sociedade e que defenda mais tudo aquilo que nos une e não o que nos divide.

Por razões maiores de saúde pública, entende-se e aceita-se, que possa haver restrições à circulação e concentração de pessoas em certos períodos em que isso tradicionalmente ocorre, como é o caso do Natal. Estaremos preparados para não termos este ano os tradicionais encontros familiares, como gostaríamos. Mas o mais importante é sentir o verdadeiro Natal dentro de cada um de nós, e isso ninguém nos pode tirar.
O Natal é mesmo “Quando um Homem quiser”.•

Carmona Rodrigues
Carmona Rodrigues

Presidente Conselho Consultivo da AESintra

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