OPINIÃO Pedro Ventura

Covid 19 – Resistir à pandemia e lutar contra uma crise social

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A situação provocada pela pandemia Covid-19 provocou nas nossas vidas um autêntico terramoto. Daqui a uns anos iremos falar como era a nossa vida antes da Covid-19 e depois desta. Se na nossa vida pessoal ainda temos dificuldade em lidar com este acontecimento, nas empresas a situação é muito mais negra. Pelo menos em algumas. Outras distribuem dividendos pelos acionistas enquanto enviam trabalhadores para lay-off. Mas centremo-nos nas empresas que representam 95% do tecido empresarial português: as MPME’s. Os apoios anunciados pelo Governo para enfrentar a covid-19 não estão a chegar às micro e pequenas empresas porque a forma como as linhas de apoio à economia estão a ser disponibilizadas, através da banca, às empresas não é rápida e é altamente burocrática. Fica clara que os principais bancos não estão em condições de trabalhar com este segmento da economia.

Dos relatos que tem chegado, não se compreende o grau de burocratização dos processos. Acontece ainda que o Governo informou que as linhas de crédito esgotaram-se. Mas com quem? Quem foram as empresas?A grande maioria que concorreu às linhas de crédito viu o pedidorecusado, sendo que em alguns casos acabaram por recorrer ao crédito através da instituição bancária, mas com exigência de garantias.

Em situação especial exigem-se medidas extraordinárias e por isso o Governo devia criar um fundo de tesouraria no montante de cinco mil milhões de euros para apoiar o tecido empresarial composto por micro e pequenas empresas, com juros a custo zero e um período de carência alargado para fazer face ao pagamento de salários e custos fixos das empresas. Tal é o que defende a Confederação dos Micro, Pequenos e Médios Empresários.

Muitas pequenas e médias empresas vão abrir, mas o que vai acontecer é que vão fechar porque não vão ter condições para funcionar: estão descapitalizadas; as regras sanitárias são apertadas e exigentes; as despesas com higienização e desinfeção de espaços aumentou; as margens estão mais reduzidas.

Uma última nota para o papel das autarquias. A iniciativa da Câmara Municipal de Sintra de criar um Fundo de Emergência Empresarial, no valor de três milhões de euros, destina-se a empresários que exerçam a sua atividade em nome individual ou enquanto sócios gerentes de sociedades comerciais, nas áreas da restauração e similares, comércio de bens a retalho e prestação de serviços. Foi uma boa medida e mereceu a aprovação por parte de todo o executivo camarário.Para finalizar, não podemos aceitar que a seguir a um desastre natural se associe uma crise social porque essa poderá sempre ser minimizada pela ação do Governo.

JEL28 maio/junho 2020
Pedro Ventura

Vereador da CMS

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