Carmona Rodrigues OPINIÃO

Eleições Autárquicas 2021

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(Carmona Rodrigues – Presidente do Conselho Consultivo da AESintra)

As eleições autárquicas de Setembro são as primeiras num período de pandemia que tanto tem afectado a vida familiar, social e económica do país. No entanto, não é por isso que estas eleições irão suscitar menos interesse da população. Fica até a curiosidade de ver até que ponto esta situação
poderá contribuir para reduzir uma abstenção que historicamente tem vindo a mostrar um gradual desinteresse e afastamento por parte dos eleitores.

Muitos milhares de pessoas mobilizam-se por todos os cantos do país, integrando as listas concorrentes aos três órgãos autárquicos: câmara, assembleia municipal e junta de freguesia. Desta vez, com um número maior de partidos e de coligações que em anos anteriores. As eleições são também um momento em que as pessoas esperam boas ideias dos candidatos para uma efectiva melhoria das condições de vida das pessoas, apesar de muitas vezes não serem conhecidos os limites das atribuições e competências dos órgãos autárquicos. Também é verdade que em muitos casos os candidatos prometem o que não está estritamente na sua esfera de competência.

Confesso que tenho estado com alguma atenção à pré-campanha eleitoral, mas ainda não vi os programas das diferentes candidaturas. Em particular no domínio da economia, ou das actividades económicas, onde o papel do governo pode ser mais preponderante que o das autarquias. As autarquias podem e devem conhecer os problemas e as expectativas de todos os agentes económicos dos respectivos concelhos.

Desde as dificuldades em se iniciar uma actividade económica, muitas vezes com a necessidade de obter diversas autorizações provenientes de diferentes serviços ou níveis de governação, até à tributação fiscal, como por exemplo a derrama, ou ainda as dificuldades na mobilidade e acessibilidades, há todo um vasto conjunto de preocupações que devem estar presentes numa política autárquica próxima e atenta. Há que olhar para o detalhe, para as soluções pontuais ou localizadas, mas principalmente, há que olhar mais além, para a totalidade do concelho ou da região, com uma perspectiva estratégica e duradoura.

Num período em que a adaptação a novas realidades é obrigatória, seja devido aos problemas de saúde pública ou aos desafios das mudanças climáticas e energéticas, há que saber encontrar respostas, tornar os municípios inteligentes e sustentáveis. Em paralelo, seria também muito positivo que se investisse mais no envolvimento consciente, informado e responsável, dos cidadãos.

Espera-se, obviamente, que o novo ciclo autárquico traga novas dinâmicas para o território. Esperamos que o diálogo e o espírito construtivo permanente não sejam promessas vãs. Mas é justamente nesta altura que devemos formular votos para que nos próximos quatro anos, Sintra, possa conhecer um período de maior desenvolvimento económico e de melhor qualidade de vida, tendo como pano de fundo um concelho mais progressivo e sustentável, do ponto de vista social, económico e ambiental.

JEL – edição 34 – setembro/outubro 2021
Carmona Rodrigues

Presidente Conselho Consultivo da AESintra

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