OPINIÃO Carmona Rodrigues

Empresas familiares

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A maior parte das empresas em Portugal podem ser vistas como “empresas familiares”. Constituem uma base importantíssima da economia nacional. Quase todas as chamadas PMEs têm em Portugal uma génese familiar, fruto do espírito empreendedor dos portugueses. São Empresas Familiares aquelas em que uma Família detém o controlo, que pode nomear a gestão, e em que alguns dos seus membros participam e trabalham na empresa. Segundo a Associação das Empresas Familiares – embora não existam estatísticas precisas – estima-se que mais de 70% de todas as empresas tenham uma estrutura e uma propriedade familiar. Quando a família e os negócios se cruzam, nem sempre o resultado é isento de aspectos complexos. O sucesso passa antes por tirar o máximo partido das características familiares, potenciando vantagens competitivas que as empresas, sem influência familiar, dificilmente conseguem replicar. O mercado muda, as regras fiscais alteram-se, a concorrência modifica-se, as exigências tecnológicas aumentam. O tempo implica, naturalmente, o problema da continuidade ou da sucessão. Muitas vezes não é fácil a continuidade, até porque os sucessores nem sempre têm vocação, interesse ou gosto, na actividade iniciada pelos seus antepassados. É o caso, por exemplo, de algumas das “lojas com história” que acabaram por fechar em Lisboa. Noutros casos, começam a certa altura a desenhar-se rivalidades que acabam por prejudicar essa continuidade, forçando a soluções que muitas vezes implicam a passagem da empresa para outros proprietários. Os processos de sucessão podem passar pela aquisição, ou participação, de outras empresas, tendo em vista o desenvolvimento de negócios, a obtenção de ganhos de escala e a exploração de sinergias e ganhos de produtividade. Muitas vezes é necessário recorrer ao financiamento, sem o qual não é viável este processo de sucessão. Estas operações podem envolver os próprios sucessores familiares, quadros da empresa, outros investidores e até entidades externas à empresa. As empresas familiares apresentam características bastante positivas para o desenvolvimento da actividade económica: um melhor conhecimento e confiança pessoais; uma maior predisposição para uma dedicação mais intensa e um forte espírito de entrega tendo em vista o benefício da esfera familiar. As empresas com um ritmo de crescimento sustentado, são as que normalmente se afirmam de forma mais sólida e duradoura. A importância das empresas familiares resulta ainda do impacte positivo que normalmente têm no tecido social da comunidade onde inserem a sua actividade, contribuindo para um ambiente economicamente progressivo e socialmente saudável. Há pois que encontrar as formas e os meios de acarinhar a actividade destas empresas, como base essencial de um tecido empresarial forte a nível regional e nacional. •

Carmona Rodrigues

Presidente Conselho Consultivo da AESintra

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