OPINIÃO Pedro Ventura

A redescoberta do Comércio Local

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EDIÇÃO32 – JEL – MARÇO/ABRIL 2021

A pandemia, iniciada em 2020 em Portugal, veio para ficar em 2021 e os seus efeitos económicos e sociais vão manifestar-se durante os próximos anos. Já ninguém duvida disso. Podemos observar, ainda sem certezas absolutas quanto ao futuro, que ela trouxe alterações nos padrões de consumo da população: comprar a fruta, o pão ou produtos na padaria ou mercearia local passou a ser cada vez uma preferência dos consumidores nacionais, como refere um estudo
realizado em 16 países europeus no final de 2020.

Assim, verifica-se que 82% das pessoas opta por se deslocar ao comércio local para suprir as suas necessidades de consumo, justificando esta opção com a conveniência (49%), as filas menores face aos supermercados (51%), a ausência de deslocações (50%) e certamente uma maior sensação de segurança face a multidões. O receio das multidões levou ainda muitos consumidores a optar pelo comércio online e uma franja significativa (cerca de 33% dos inquiridos) mostrar-se disponível para receber as encomendas online de um vizinho-lojista que passou a conhecer melhor.

Curiosamente, nos restantes países europeus a tendência é mais baixa no que toca a comprar no comércio local (74% dos europeus) mas mesmo assim não deixa de ser avassaladora a mudança de comportamento dos consumidores. Este efeito da pandemia, pese embora as consequências trágicas do confinamento, levaram as populações a redescobrirem os seus bairros, relançando negócios dentro das comunidades locais, gerando assim importantes receitas nestas micro e pequenas empresas, que em Portugal são a maioria do tecido empresarial.

Podemos mesmo concluir que se verificou um aumento do grau de reconhecimento pelo comércio local durante o confinamento, com 84% dos consumidores a afirmar que prefere comprar a alguém que já conhece e 79% que tem maior confiança nas recomendações feitas pelos lojistas locais.

O movimento gerado pela importância da existência de comércio local despertou as populações para a necessidade da sua conservação e manutenção, o que gerou uma tendência de uma maior curiosidade em conhecer o vizinho-lojista e ajudá-lo nesta fase difícil da vida nacional. Espera-se que esta tendência ganhe raízes e se mantenha. O comércio local agradece e os nossos bairros ganham uma nova vida!

Pedro Ventura

Vereador da CMS

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