OPINIÃO Paulo Veríssimo

Compromisso cívico

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JEL10 – Fev./Mar. 2017

Quando vemos autarcas a publicitar, com regozijo, reparações de calçadas, outras obras, corte de ervas, manutenções do sítio A, B ou C, alcatrão na estrada D, etc, como se fossem grandes marcos no seu executivo, é motivo para ficarmos preocupados; são temas que não podem assumir a importância do passado. Sugere que têm pouco para mostrar. Não percebem que aquelas obras fazem parte da rotina de uma autarquia, são funções inquestionáveis, inerentes.

Já pagamos impostos suficientes para que as nomeadas obras decorram rapidamente e, de preferência, sem causar transtorno. Por isso, senhores autarcas, quando apresentarem «obra», por favor, não nos confundam com o que temos direito e que decorre da vossa obrigação!

Hoje em dia exigem-se autarcas/políticos com dinâmica, que consigam fazer a diferença, com rasgo, que pensem «fora da caixa», que criem sinergias de forma a ajudar as empresas a gerar mais investimento e empregos, que melhorem os transportes públicos, que aumentem o bem-estar, que tenham estratégias para a área do ambiente e do ordenamento do território, que atraiam investimento, que definam uma estratégia/posicionamento no turismo, que saibam promover e apoiar eventos culturais e desportivos, apoiar as associações, comunicar e gerar relações com/entre os munícipes, fixar as suas gentes, etc.

Basicamente, espera-se que esses autarcas/políticos saibam aumentar a nossa autoestima e fazer com que todos tenhamos orgulho em viver na nossa terra. É necessário motivar os colaboradores e as equipas das próprias câmaras para torná-las mais eficientes e isso passa por criar condições de trabalho e valorização do empenho de cada colaborador. É necessário delegar, distinguindo o mérito e dando protagonismo a quem faz bem.

Já não há espaço para presidentes de câmara que querem protagonizar tudo e “mais um par de botas”, passando a ideia de que os vereadores, presidentes de junta, chefias, diretores ou colaboradores são meros empregados de “Sua Excelência”. Devem, sim, trabalhar e protagonizar em equipa, ou seja, quem faz, aparece, com toda a legitimidade.

Também se criam dinâmicas apoiando as forças vivas da «terra», trabalhando em conjunto, nomeadamente com as associações de bombeiros, empresariais, culturais, desportivas, IPSS’s, etc. É aqui, nestes espaços de convívio (e de comunhão), que normalmente se criam relações entre pessoas de diferentes possibilidades financeiras, de diferentes crenças, religiões, clubes, várias nacionalidades, etc. Compete às autarquias unir as pessoas/munícipes.

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