OPINIÃO Paulo Veríssimo

(I) Literacia digital

Paulo Veríssimo
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Tendo em conta a definição do conceito infoexclusão: “desconhecimento que origina falta ou impossibilidade de acesso a
informação, nomeadamente através das novas tecnologias de comunicação como a Internet”, prever o futuro é uma tarefa complexa, se tivermos em consideração o mundo de transformações tecnológicas e sociais aceleradas que hoje deparamos.

Há menos de 20 anos, seria difícil imaginar drones, redes sociais omnipresentes ou super computadores a caberem num bolso. Portugal está abaixo das médias Europeias em matéria de literacia digital, mas o crescimento que tem registado é significativo, face a um processo prolongado de luta contra a infoexclusão, dependente das condições sociais, culturais e económicas. O analfabetismo informático – não saber utilizar o PC – conceito diferente de iliteracia digital, está muitas vezes ligado ao analfabetismo clássico e ao facto de as populações não terem acesso à informação. Confirma-se assim que a infoexclusão não é um fenómeno exclusivo, mas sim cumulativo.

Surge associado a outros problemas de exclusão, como a pobreza, o racismo, a idade e a questão do alojamento. Existe um fosso entre a parte rica do mundo que tem conhecimento e a parte pobre que não tem acesso. Era importante que as autarquias criassem espaços, com computadores com acesso à internet, ou unidades móveis devidamente equipadas que viajassem pelo território de cada município, sobretudo, nas zonas mais carenciadas.

Os temas: infoexclusão e a literacia digital, estão presentes no debate científico devido ao acentuado progresso tecnológico, sendo nesse trabalho de análise qualitativa que se adquirem as perceções dos nativos digitais sobre esta problemática, nomeadamente, as suas reflexões sobre a desigualdade digital entre jovens e seniores. Numa dessas tentativas de análise científica, em forma de questionário a centro e trinta e cinco estudantes universitários, verificaram-se resultados que denotam uma dimensão tecnológica funcional ancorada em perceções idealistas.

Apesar de os nativos digitais dominarem o uso das novas tecnologias, é fundamental expandirem o seu conhecimento
teórico sobre a infoexclusão para que possa existir a compreensão necessária para uma aposta na literacia digital dirigida a todos os públicos. Para construir uma sociedade digital será necessário assegurar dois requisitos mínimos – meios e formação. O primeiro destes parâmetros pressupõe a existência de condições de acesso individual, decorrentes da existência de equipamento e de ligações à rede digital. O segundo relaciona-se com o ultrapassar de um limiar mínimo de literacia informática, que permita ao indivíduo operar com um computador ou outros meios que no futuro surjam.

Urge implementar ações realistas com o intuito de “infoalfabetizar”, com vista a não deixar aumentar o fosso que existe entre os incluídos e os excluídos digitalmente.

JEL21 janeiro/fevereiro 2019
Paulo Veríssimo
Paulo Veríssimo

Presidente da Associação Empresarial de Sintra

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