OPINIÃO Paulo Veríssimo

Turismo versus Comércio (3%)

Paulo Veríssimo
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No passado mês de março foi apresentado, pela Câmara Municipal de Sintra, um estudo sobre o Turismo no concelho, onde se desenha o perfil do turista que nos visita. Dos indicadores apresentados fiquei preso aos quase residuais 3% de gastos que o “nosso” turista transfere para o comércio. Urge contrariar a percentagem. Afinal de contas, é aqui onde
o nosso concelho pode ter um maior benefício direto, visto que a maior fatia dos lucros dos Parques Sintra Monte da Lua vão parar aos cofres do Estado central.
Quanto ao perfil de quem nos visita, diz o estudo:
– 58% são mulheres, entre os 35 e 64 anos (embora seja ligeiramente mais provável que esteja entre os 35 e os 44 anos). O “nosso” turista tem, provavelmente, uma atividade profissional de natureza cientifica, técnica e liberal (56%) ou é reformado (32%);
– Tem, normalmente, um grau de instrução superior (76%);
– Viaja preferencialmente com mais uma pessoa (39%), mas também é normal que viaje com grupos maiores. Dificilmente viaja sozinho;
– É quase sempre estrangeiro (90%), original do Reino Unido, Espanha, EUA, França ou Alemanha, porém, se a intenção for a de ficar hospedado em Sintra, a probabilidade de ser estrangeiro desce para 63%;
– Conheceu e informou-se sobre Sintra na internet (65%) ou, mais esporadicamente, através de uma recomendação de familiares e amigos (18%);
– Interessa-se por monumentos e História (35%), por cultura (30%) e também por natureza (20%);
– Os que visitam monumentos, escolhem, muito provavelmente, o Palácio Nacional da Pena. Optando por outros locais de visita, a preferência recai, por esta ordem: Quinta da Regaleira, Castelo dos Mouros e Palácio Nacional de Sintra;
– É provável que opte por deslocar-se em Sintra a pé ou em transportes coletivos (59%);
– Normalmente, não fica hospedado em Sintra (só 22% dos visitantes ficam), sendo muito provável que esteja alojado em Lisboa (54%) ou Cascais/Estoril (16%);
– O hóspede fica em média entre 1 a 2 noites em Sintra, gastando assim cerca de 153€ em alojamento;
– Do total de turistas hospedados em Sintra, mais de metade escolhem hotéis (55%), revelando assim uma significativa capacidade financeira. Esta fatia de turistas está disposta a gastar um valor por dormida (cerca de
90€), não só muito acima da média portuguesa, como superior a qualquer outro município das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto;
– Para 46% dos visitantes, a maior fatia dos seus gastos é a do alojamento; 24%, em restauração e bebidas; 20% em entretenimento e lazer; 13% em transportes e só 3%, em compras. O comércio de Sintra perde 97% da capacidade financeira do turista que nos visita e isso ainda não me saiu da cabeça!

JEL23 – maio/junho 2019
Paulo Veríssimo
Paulo Veríssimo

Presidente da Associação Empresarial de Sintra

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