OPINIÃO Paulo Veríssimo

Geração Z – Novos eleitores, novos partidos

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As próximas eleições legislativas estão marcadas para o dia 6 de outubro e à semelhança dos últimos atos eleitorais vai ser sentida a presença em urna, cada vez mais evidente, de um novo nicho de eleitores que os sociólogos consideram ser o da denominada Geração Z.

Nascida a partir de 1990 até ao início dos anos 2010, esta geração corresponde à idealização e nascimento da World Wide Web. É uma geração que cresce a par da desenfreada criação de aparelhos tecnológicos “zapeando” entre canais de televisão, internet, videogames e smartphones.

Os jovens Z estão interessados em temas como a igualdade de género, as alterações climáticas ou a luta contra a corrupção política e são também eles que integram os partidos mais recentes em Portugal, partilhando preocupações que começam a ter impacto nas gerações mais velhas, obrigando a novas formas de comunicação política. Iñaki Ortega, economista e professor universitário espanhol, define estes jovens com quatro “i”:
– Internet – nasceram e foram socializados com a internet;
– Irreverência – importam-se muito pouco com o poder estabelecido;
– Incerteza – não sabem como será o futuro;
– Inovação – vivem num mundo em mudança, sem certezas e respondem sem restrições às questões atuais.

Nos últimos anos muito se tem falado sobre a necessidade de criação de novos partidos e das novas ideias que estes possam acrescentar ao debate político. Ser de esquerda ou ser de direita são rótulos políticos que já não servem como definição aos novos eleitores. Não procuram poder para si nem para os seus pares -isso não os motiva – aliás, contrariam-no livremente e sem filtros. O que os define são as grandes Causas que defendem e os partidos que quiserem ir ao encontro dos seus interesses devem rever as suas propostas programáticas, regenerar os seus ativos, dando voz a esta
nova geração.

Em derradeira análise, é ela que, em número e em pujança criativa e intelectual, vai “governar” o mundo.
Faz falta uma regeneração da vida política em Portugal; os alertas já soam!
Em outubro, se não votarmos continuará tudo igual, continuarão os de sempre.

JEL24 julho/agosto 2019
Paulo Veríssimo

Presidente da Associação Empresarial de Sintra

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