Economia Local Segurança e Saúde no Trabalho

Segurança no Trabalho na indústria das vinhas

Sónia Firmino
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A cultura da vinha, em Portugal, é uma das atividades com maior peso na economia do país, apresentando grande variedade de vinhos, consoante as regiões
onde são produzidos e as castas utilizadas. No entanto, a nível da transformação, verifica-se, em algumas unidades produtivas, a utilização de equipamentos obsoletos e a inadequação das instalações em termos de segurança no trabalho, que estão na origem de muitos acidentes nas adegas portuguesas. A agravar esta situação existe a constante mobilidade dos trabalhadores entre os diferentes postos de trabalho e o elevado número de trabalhadores eventuais nas
alturas de maiores picos de trabalho (ex: vindimas).
Para a prevenção de acidentes de trabalho e de doenças profissionais em adegas é necessário conhecer profundamente os perigos e os respetivos riscos associados, aos quais todos os trabalhadores possam estar expostos. Um destes perigos é o trabalho em espaços confinados – locais com aberturas limitadas de entrada e saída, com ventilação natural desfavorável e níveis deficientes de oxigénio, podendo conter ou produzir contaminantes químicos tóxicos ou inflamáveis e que não está concebido para uma ocupação contínua por trabalhadores.
No que concerne a estes espaços confinados existem vários tipos de riscos ,ressalvamos os seguintes: – Asfixia por insuficiência de oxigénio (O2); – Intoxicação devida à libertação e acumulação de contaminantes como, por exemplo, o dióxido de carbono (CO2) e o dióxido de enxofre (SO2);
A presença de CO2 nas adegas e destilarias pode constituir um perigo para a vida dos trabalhadores, por ser um gás tóxico, inodoro, incolor e mais denso que o ar. A produção deste gás provoca uma deslocação no ar ambiente para zonas mais elevadas, conduzindo, por substituição, à redução do teor de oxigénio. As consequências para a saúde dos trabalhadores dependem dos teores de oxigénio e de dióxido de carbono presentes na atmosfera e do tempo de exposição.
Os sintomas característicos de asfixia manifestam-se desde a aceleração do ritmo cardíaco até à perda de consciência e morte.
A aplicação do SO2 faz-se em momentos distintos do processo produtivo, desde a aplicação nos tegões de receção das uvas, nas cubas de fermentação, na armazenagem e no enchimento dos sulfitómetros, até à desinfeção de pipas e tonéis. Os acidentes de trabalho mais frequentes com o SO2 ocorrem durante a sua
diluição em água, a aplicação da solução, a queima de mexas, a libertação dos vapores de gás liquefeito, o rompimento de válvulas e bombas dos sulfitómetros e por fugas das garrafas de armazenamento. Desta forma a armazenagem de SO2 deverá obedecer a determinadas condições. As garrafas deverão ser colocadas de pé e amarradas para evitar o risco de choque ou de queda que as danificariam (especialmente a cápsula de protecção). As garrafas devem ser armazenadas ao ar livre ou em locais frescos munidos duma ventilação eficaz, ao abrigo da humidade ou de qualquer fonte de calor. Nunca deverão estar expostas a temperaturas superiores a 50ºC, devendo ter sempre a proteção, mesmo enquanto vazias.
É obrigação do empregador identificar e avaliar os riscos presentes no local de trabalho relativamente a todos os trabalhadores envolvidos no processo. Esta avaliação deve ser feita por Técnicos de Segurança no Trabalho com qualificações técnicas específicas para o efeito. O elevado risco apresentado por estas atividades obriga a que os trabalhadores tenham informação e formação específicas para as tarefas a desenvolver, permitindo-lhes assim identificar os riscos
presentes.

JEL29 julho/agosto 2020
Sónia Firmino
Sónia Firmino

Diretora Jornal Economia Local (JEL)

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