Economia Local

Os Mercados Tradicionais

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Olha a sardinha linda! Venha ver, freguesa! Este é um dos vários pregões de que me recordo desde a infância, quando acompanhava a minha Mãe ao mercado. Era desde logo um convite à aproximação, ao diálogo, a uma relação entre vendedores e compradores. Os mercados eram espaços comerciais, mas eram muito mais que isso. Eram locais agradáveis onde se convivia, onde se encontravam pessoas conhecidas e vizinhos. E entre duas compras actualizava-se a conversa com quem já não víamos há algum tempo, sempre íamos sabendo deste ou daquele, dos seus filhos ou dos mais velhos. Hoje continuo a ir a mercados e constato que ainda é muito assim. Vemos comida fresca e atraente, somos bem atendidos, temos um atendimento verdadeiramente personalizado. Nos grandes supermercados não é bem assim. Desde que começaram a aparecer, estes espaços oferecem vantagens desde logo pela sua oferta de estacionamento, muitas vezes coberto, em especial para quem vem mais de longe. Nestes locais, podemos encontrar produtos que vêm de todo o mundo, e o ar condicionado por vezes sabe bem. Mas nestes locais as pessoas servem-se, mais do que são servidas. E na realidade, este ambiente de auto-suficiência consumidora não proporciona a interacção entre as pessoas, não se cria efectivamente um espaço que também deve ser de convívio social. Até porque as pessoas que vão aos supermercados vêm de diversas proveniências, muitas das vezes distantes. As chamadas grandes superfícies proporcionam muitas vezes uma grande diversidade de oferta de produtos, bem para além dos produtos alimentares, e os horários são mais alargados, o que representa também alguma vantagem. Mas a verdade é que foram muitas vezes acusadas de dar cabo do tradicional comércio local, com uma maior tradição de proximidade aos cidadãos. Muitos dos mercados tradicionais, talvez estimulados pela concorrência, modernizaram-se e hoje voltaram a ser locais preferidos pelas pessoas para aí encontrarem os alimentos que mais apreciam. Apesar do crescimento das superfícies comerciais e também do comércio electrónico, há boas razões para os mercados tradicionais voltarem a afirmar-se pela sua qualidade, tanto de produtos como de serviço.

Carmona Rodrigues

Presidente Conselho Consultivo da AESintra

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