Economia Local Editorial

Negócios com o coração

Sónia Firmino
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O retrato empresarial do concelho, assumindo o panorama dos aproximadamente 4000 associados que constituem o tecido associativo da AESintra, remete-nos para as reflexões avançadas por Peter Villax, presidente da Associação de Empresas Familiares em Portugal. Apesar de não existirem estatísticas precisas, Peter Villax, avança: ”as empresas familiares empregam 60% da população ativa, representam cerca de 70% do tecido empresarial, contribuem para 50% do emprego e 66% do Produto Interno bruto”. O panorama português coincide, desta forma, com estudos internacionais que indicam que a maioria das empresas do mundo é familiar. Peter Villax vai ainda mais longe: “as empresas familiares do século XXI vão ser o motor de relançamento económico das nossas economias”. Objetivamente é difícil ter um número exato das empresas familiares existentes, ora pela confusão com o conceito de PME, ora por terem originalmente uma génese familiar que evoluiu para outro modelo empresarial. Feita a introdução, o JEL refletiu dentro da geografia da sua atuação e envolveu-se na temática. Fomos conhecer a realidade de 5 negócios/ empresas associados da AESintra, de génese familiar, diferenciados nos setores que representam e na grandeza de volume de negócios. Nesta incursão empresarial por Sintra, não encontrámos concordância com aqueles que são os maiores desafios das empresas familiares: o planeamento da sucessão; a integração de gestores não familiares; a inovação; a profissionalização da família e, por último mas não menos importante, o controlo das emoções. A AJ Manata Jardins, o Restaurante da Adraga, a Mafep, a Gráfica Sintrense e o Grupo Apametal – negócios/empresas familiares que fomos conhecer nesta edição do JEL – não confirmam a seguinte estatística: “1 em cada 100 empresas familiares que se aproximam da 2ª geração, apenas 30 sobrevivem, e destas apenas 15 continuam ativas na 3.ª geração” (Dyer, 1996). Estatísticas à parte, controladas as emoções naturais quando os pais são também “patrões” dos filhos e a estes é tudo solicitado com mais exigência e responsabilidade, verificámos nos 5 exemplos acima mencionados que o “coração” pode ser a alma dos negócios familiares; pelo menos em Sintra. •

Sónia Firmino
Sónia Firmino

Diretora Jornal Economia Local (JEL)

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