Economia Local AESintra Especial edição

Campanha de apoio ao comércio local – Sintra, Somos Comércio Local!

Sónia Firmino
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Entrevista com Paulo Veríssimo, presidente da AESintra, no dia em que a Associação comemora o seu 77º aniversário.

No dia 8 de maio a AESintra lançou a campanha “Sintra – Somos Comércio Local”, porquê nesta data? Foi uma escolha simbólica, por esse ser o dia em que a Associação Empresarial de Sintra comemorou o seu 77º aniversário. O nosso tecido associativo é representado maioritariamente por pequenas e médias empresas, muitas delas de cariz familiar, algumas já com uma dimensão económica notável no panorama nacional e internacional. Gostamos de comemorar o nosso aniversário na companhia presencial dos nossos associados porque na nossa essência, somos uma grande família que este ano, infelizmente, esteve privada de estar junta. Em alternativa a esta imposta contingência dos tempos que vivemos, foi nosso objetivo passar uma mensagem de apoio incondicional e construtivo aos negócios, serviços e comércio locais, no dia em que a AESintra inicia o seu 77º ano de vida. Pareceu-nos ser esta a melhor forma de demonstrar que, mesmo privados do calor humano necessário no dia em que anualmente o gostamos de celebrar e sentir, mantivemos o nosso foco nos negócios locais, familiares, tradicionais e de rua que tão bem caracterizam Sintra.

Portanto, o que me está a dizer é que a AESintra é”comércio local” já antes da pandemia? Somos comércio local desde há 77 anos a esta parte. O que muda na nossa intenção é o novo panorama em que a economia local se encontra; para novos cenários novos remédios. É uma adaptação da estratégia, imposta pelas novas necessidades, pelas novas formas de comunicar produtos e serviços, pelos novos canais comerciais e digitais… Enfim! Considero que o momento é disruptivo, já nunca mais vamos voltar ao que tínhamos antes de março de 2020, porém, também estou convicto de que num futuro próximo a maior necessidade das pessoas vai passar pelo reencontro com os afetos e com proximidade humana, seja qual for o teor da relação. Se há diferenciação que o comércio local pode dar, é essa mesmo. Sabemos que o consumidor é seletivo e compra cada vez mais em qualidade, procurando fidelização e empatia…Quem são os podem ir
ao encontro de tudo isto? São os agentes do comércio local, aqueles que tratamos pelo nome e nos perguntam como está a família.

“(…) foi nosso objetivo passar uma mensagem de apoio incondicional e construtivo aos negócios, serviços e comércio locais, no dia em a AESintra inicia o seu 77º ano de vida. Pareceu-nos ser esta a melhor forma de demonstrar que, mesmo privados do calor humano necessário no dia em que anualmente o gostamos de celebrar e sentir, mantivemos o nosso foco nos negócios locais.”

Então, que “novos remédios” são os que a AESintra pretende administrar com a campanha “Sintra – Somos Comércio Local”? Antes de responder à sua pergunta,deixe-me dizer-lhe como é que a campanha começou a ser desenhada… Em março último a AESintra constituíu um gabinete de apoio exclusivo ao associado, responsável pelo tratamento de toda a informação legal emanada das entidades legais, que à data da nossa conversa já conta com a produção de 80 circulares informativas; a criação e envio de 11 guias setorias de orientação na reabertura dos estabelecimentos e milhares de esclarecimentos aos empresários
(por escrito, online, telefone, etc). Ainda em março, a AESintra criou uma plataforma digital – Comércio e Serviços – Estamos Abertos (grupo que agora assumiu o conceito integral da campanha Sintra – Somos Comércio Local). Este grupo online na rede social Facebook, integra à data, aproximadamente, 2800 membros e é responsável por uma importante interação entre o comércio local e os seus clientes. Inicialmente criado para divulgar as alternativas de laboração encontradas pelo comércio local no período de confinamento, a plataforma foi responsável por revelar, aproximadamente, 600 estabelecimentos de vários setores que se
adaptaram às soluções possíveis e conseguiram chegar aos seus clientes…

Agora entramos no day-after, é isso que me está a dizer? Sim, é isso mesmo, a importância que o comércio local tem para o concelho de Sintra é vital, para
qualquer um dos lados intervenientes no processo. Importante para o pequeno comerciante ou empresário que quer abrir portas em total segurança e importante para a comunidade de clientes a quem a confiança do serviço prestado deve agora, mais do que nunca, ser o fio condutor de todo o processo. Por isso, porque em Sintra apostamos nos nossos, as ações que a Associação tem desenvolvido, vão agora entrar numa fase de reforço com o lançamento da campanha.

Objetivamente, qual é o foco do “Sintra – Somos Comércio Local”? Para começar, assumimos o compromisso de dinamizar e reforçar a empregabilidade gerada pelo comércio local, mantendo o equilíbrio social na comunidade que em primeiro lugar tem à sua disposição a reabertura dos pequenos negócios. A AESintra pretende motivar e apoiar os agentes económicos na reabertura, convencidos de~que as condições de higiene e segurança alimentares são de mais fácil
cumprimento em pequenos espaços, comparativamente às grandes cadeias alimentares e às grandes superfícies, para este objetivo já vamos no 6º webinar gratuito e exclusivo para os nossos associados. Estes webinares já integram uma das fases da própria campanha “Sintra – Somos Comércio Local”.

Mas qual o grande campo de ação da campanha Sintra – Somos Comércio Local? Um dos grandes objetivos da campanha é o apelo à confiança e preferência do consumidor pelo comércio local, onde todas as medidas de segurança alimentar passam por uma gestão de mais fácil controlo. Para mim é este o conceito central,quase encarado como uma missão. O apelo ao comércio de proximidade, mesmo nesta fase tímida de desconfinamento, deve ser reforçado. Uma espécie de mindset; as relações humanas e o atendimento personalizado continuam a ser a grande mais-valia do comércio local, tradicional e de rua.

Que ações estão previstas para dinamizar a campanha? Já começamos a desenvolver algumas, como atrás lhe disse, temos outras em carteira que a seu tempo serão divulgadas. Este foco não é de tempo limitado nem só agora em maio. Fomos “obrigados” a mudar o rumo da nossa missão demapoio ao nosso tecido empresarial local no decurso desta pandemia que a todos nos atingiu em velocidade relâmpago e sem pré-aviso, mas estamos cá, reativos às alterações e pró-ativos na estratégia.

Alguma mensagem de encorajamento aos sócios que nos estão a ler? Sim, agradeço a todos os empresários, comerciantes e trabalhadores, pelo esforço e pela capacidade de adaptação à nova realidade económica. Como presidente da AESintra sinto-me inspirado pela maturidade que cada um dos setores tem demonstrado. Nada disto estava previsto, não houve nenhum simulacro que nos tivesse preparado para este cenário, mas, mais uma vez, foi a postura leal e fiel à proximidade e empatia com os clientes, que em tudo se opõe aos grandes grupos económicos e às grandes superfícies comerciais – que já marcou a diferença e que vai ser a melhor receita para os desafiantes momentos que nos esperam. 77 anos de AESintra:

A COVID-19 é um marco em toda a história da Associação? Sem dúvida que sim; no melhor e no pior que esta pandemia trouxe à economia de Sintra. No melhor,porque mais uma vez confirmei a grande capacidade altruísta e executiva dos órgãos sociais que integram a estrutura da AESintra que, neste período conturbado, têm sido uma referência que não esquecerei. Para último, propositadamente, não tenho palavras suficientes para expressar o meu eterno agradecimento aos colaboradores e funcionários da AESintra. É verdade que nem tudo é fácil, mas dentro das contingências e das adversidades, fui surpreendido pela capacidade humana e profissional de todos. Os portugueses são espetaculares e os portugueses de Sintra são uma referência. A gratidão é enorme.

JEL28 maio/junho 2020
Sónia Firmino
Sónia Firmino

Diretora Jornal Economia Local (JEL)

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