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Amor No Prato – Projeto solidário que nasce com a Pandemia

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Amor no Prato é mais um daqueles projetos de gente altruísta que tem na comunidade o seu foco de atuação. Na base de criação, tem quatro mulheres cujo o amor que colocam em todos os pratos que preparam motivou o apoio do Projeto CLDS MAIS AÇÂO. A secretária-geral da AESintra foi falar com elas.

Como surgiu o projeto Amor no Prato? É resultado da dinâmica comunitária e insere-se no âmbito da intervenção do Projeto CLDS MAIS AÇÃO que intervém no território da Serra das Minas. Este projeto é financiado pela Segurança Social, coordenado pela Fundação Aga Khan e Executado pela Associação Luso Cabo-Verdiana de Sintra – ACAS que procura mobilizar, apoiar e capacitar a comunidade da Serra das Minas para encontrar soluções para os seus próprios problemas.

Quem são as voluntárias que dão a cara pelo projeto? Identificaram-se quatro moradoras, que não se conheciam entre si, mas que comungam a mesma vontade: apoiar outros durante a situação de crise trazida pela pandemia. Em reuniões conjuntas online, definiu-se a área de intervenção, os objetivos e as tarefas,
tendo em conta os talentos e a capacidade de cada uma. A premissa deste movimento de cidadãos assenta no mote – “somos o que comemos”-, e têm como objetivo melhorar em qualidade aquilo que comemos. Pretendemos garantir o acesso das famílias a esses bens alimentares, mantendo uma alimentação equilibrada, saudável e nutritiva, sobretudo, assegurando os cuidados de higiene e segurança alimentar. Estamos a desenvolver workshops de culinária, mediante a facilitação de bens alimentares (cabazes alimentares) às famílias, ensinando-as a criar pratos saudáveis e nutritivos.

Quem são e como se constituiu o grupo? Somos quatro voluntárias e lideramos e impulsionamos a ideia. A Teresa, de origem guineense, adora cozinhar e está muito preocupada com os idosos da zona. A Vânia Alves, vive na Serra das Minas onde sempre foi muito pró-ativa e tem angariado alimentos para os cabazes. A Alcisa é especialista em comida cabo-verdiana e tem disponibilidade e vontade para partilhar as suas origens e o gosto pela cozinha. A Tânia é licenciada em Engenharia Alimentar e tem mobilizado bens alimentares para serem doados a famílias mais carenciadas. É à Tânia que cabe o apoio nos workshops que realizamos e também a dinamização da página do Amor no Prato, com informações educativas, nomeadamente: nutrientes diversificados e saudáveis; garantir
a segurança alimentar; regras de higiene; reutilização de desperdício alimentar. A Andrea tem tido uma postura proativa na procura de respostas para a comunidade, integra um grupo de mães e juntou-se a esta iniciativa contribuindo para melhorar a vida dos outros.

Querem aprofundar essa parte mais pedagógica do projeto, assim como toda dinâmica? A primeira etapa do projeto divide-se em duas tarefas: sinalizar famílias e mobilizar bens alimentares para as mesmas. Criámos um formulário de inscrição para as famílias que integram o projeto. O link está sempre disponível na nossa página de facebook. Quanto aos cabazes, temos tido a ajuda da comunidade, do comércio local e também de empresas locais. Após a recolha/angariação de bens alimentares e identificação de famílias o processo passa pela elaboração e entrega dos cabazes. Nesta fase, divulgamos a data
para que todas as famílias possam participar. O workshop é realizado com apoio de chefs ou entendidos na área alimentar que propõem uma receita nutritiva, saudável e com dicas importantes, com base nos bens distribuídos pelos cabazes. Também queremos fazer chegar às famílias dicas saudáveis para confecionar os alimentos, assim como, mensagens positivas de alento e de amor.

Que preocupações têm? Preocupa-nos o impacto socioeconómico causado pelo confinamento e, claro está, a importância de uma alimentação saudável. Para nós é imperioso que quem nos procure o faça com dignidade, escolhendo uma vida saudável. A escolha pode ser mais económica e mais criativa, as pessoas só
precisam de ser guiadas.

Que empresas estão convosco? Temos a OMNOVA, para já, que muito nos tem ajudado. Contamos sensibilizar mais e estamos a tentar isso mesmo.

Quais as atividades que promovem? Mobilização e organização de cabazes alimentares para famílias e workshops online de culinária, em direto e com um chef/cozinheiro. Estes workshops são sempre para as famílias inscritas, mas com a possibilidade de ter convidados que queiram participar.

Já têm números? Até ao momento já apoiámos 18 famílias (70 pessoas e 39 crianças) com 351 kg de bens alimentares e 132 enlatados.

Que aprendizagens retiram da experiência? A importância da partilha e a força da união, são, indubitavelmente, as aprendizagens mais preciosas. As nossas expectativas eram muito otimistas, porém, não estávamos à espera que o Amor no Prato ganhasse esta dimensão. O Amor no Prato está a potenciar relações em comunidade e o espírito comunitário. A um nível mais emocional e individual, recebemos das famílias a importância de estarmos com elas, principalmente, na altura de confinamento.

Quais as expetativas futuras para o desenvolvimento do projeto? Queremos dinamizar ainda mais os momentos de partilha com as famílias que nos seguem. É nossa intenção usar cada vez mais a nossa criatividade para transmitir formas rentáveis para confeção dos alimentos. Por outro lado, temos também o objetivo de criar um livro ou ebook de “Receitas com História” com os intervenientes, criando assim um registo de todo este processo, bem como criando uma memória positiva de todos os que foram passando pelo projeto Amor no Prato.•

Contactos do grupo:
Inscrição de famílias para os
workshops/receber cabazes alimentares: https://bit.ly/2XXQhQk
Se pretender pode aceder à pagina deste grupo:
https://www.facebook.com/pg/cozinhassolidaria/posts/?ref=page_internal

JEL28 maio/junho 2020
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Olga Figueiredo

Secretária-Geral AESintra

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