Economia Local Especial edição

Cabeleireiro Amadeus: “Não estamos habituadas a trabalhar sem proximidade”

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Os cabeleireiros e gabinetes de estética são outro dos setores da economia local onde as medidas de segurança mais se fizeram sentir. Tudo mudou! Foi esta a resposta dada por Conceição Esteves, proprietária há quase 40 anos do Cabeleireiro Amadeus, no Centro Comercial Bela Vista, em Mem Martins.

A reabertura em maio, foi “muito difícil”. A equipa da Conceição – quatro no cabeleireiro e duas na estética – são as mesmas que eram em março passado. Não houve despedimentos, mas a “1ª semana de reabertura foi particularmente difícil por não estarmos habituadas a trabalhar sem proximidade. Agora nem conhecemos a cliente à chegada”. A Conceição está em Sintra há 52 anos, casou com um “saloio sintrense” e nunca quis ir para um centro comercial de maiores dimensões como os que existem nas redondezas.

De regresso ao impacto da pandemia na rotina do cabeleireiro, a maior diferença passa pelo número de pessoas que podem ser atendidas, que não pode exceder as duas clientes ao mesmo tempo. Trabalhar por marcação, conforme é exigência da Direção Geral da Saúde, já era rotina instalada no Amadeus, a diferença é que os muitos atrasos, esquecimentos e desistências acabam por condicionar o regular andamento de serviço, porque o cliente já não espera nem há espaço para deixar entrar alguém que entretanto possa surgir de forma espontânea.

Houve outra franja de serviço que quase desapareceu por completo, relacionada com os momentos festivos ou de cerimónia que reduziu significativamente as vindas ao cabeleireiro. O Amadeus já foi fiscalizado “por duas ou três vezes” e a Conceição acredita que tudo voltará à normalidade, mas vai levar o seu tempo, sendo preciso acompanhar as exigências não só do mercado como também dos tempos impostos. Apesar da divulgação nas redes sociais e noutros canais de comunicação existir, a Conceição considera que não é por aqui que vai fazer a retoma porque a sua carteira de clientes já está feita, só precisa de vir livremente, as vezes que quiser e sem nenhuma obrigação de proteção.

Para acabar a Conceição tem pena que o espaço do Centro Comercial Bela Vista não tenha outra dinâmica. O restaurante que ali existia fechou, as lojas são muito pequenas e não existe uma estratégia para melhorar a visibilidade do espaço. O Natal e a Passagem do Ano, há muitos anos, eram marcos de uma época com muito serviço, agora já não é uma altura especial para arranjar o cabelo, apesar de cada cliente ser “especial” para a Conceição: “dou a todas o tratamento que merecem e isso faz parte do amor que tenho à camisola. Gosto muito de lidar com as minhas clientes e nunca me vi a fazer outra coisa”.

JEL31 novembro/dezembro 2020
Sónia Firmino

Diretora Jornal Economia Local (JEL)

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