Economia Local Especial edição

Shopping Center de Massamá: “A comunidade tem respondido bem ao apelo pelo comércio local”

Partilhar

Este ano o Shopping Center de Massamá comemora o seu 30º aniversário. Na década de 90, chegou a rivalizar com alguns dos grandes como o Cascais Shopping, conforme dito por Viegas Simão, um dos administradores do Centro desde 2012, juntamente com Manuel São Pedro, que também acompanhou o JEL nesta conversa. Não existe mais nenhum espaço comercial semelhante a este, construído nessa década, no concelho de Sintra, aliás, até no distrito temos dúvidas que se encontre um Shopping com a natureza local que este tem e que tanto o diferencia: arrumado, dinâmico e numa perspetiva mais arquitetónica, com os corredores largos”.

O Shopping Center de Massamá deve ser visto como um espaço centralizado de comércio local, que converge proximidade e comunidade e permite pontos de encontro diários para convívio social. Na totalidade são 100 lojas – nem todas ocupadas -, com uma capacidade de investimento muito menor do que nos tempos áureos, sendo que, “a pandemia era exatamente o que não precisávamos”, como nos disse Viegas Simão, tendo ainda acrescentado: “tudo será necessariamente diferente no pós pandemia, inclusivamente a própria gestão empresarial que agora sabe que nem todo o dinheiro que entra em caixa è lucro”, continuou, “há que encorajar a criação de fundos de maneio, como prática comum e futura”.

Estavam previstas obras de requalificação para o Centro que acabaram por ficar suspensas por ter sido urgente apoiar os lojistas com a redução dos valores de condomínio, na ordem dos 70%. Durante o confinamento, só as lojas de bens essenciais ficaram abertas, mas com a reabertura fica a ideia de que a comunidade tem respondido bem ao apelo pelo consumo no comércio local e para isso muito tem contribuído a dinâmica do Centro, que passou a ser, maioritariamente, em ambiente digital. A única coisa que não pode deixar de ser feita é a tradicional ida do Pai Natal ao Shopping Center de Massamá. Vai ser realizado um sorteio com vários brindes, cuja adesão dos lojistas “tem sido surpreendente” e está previsto um evento de angariação de bens alimentares que depois serão entregues a uma instituição da freguesia.

A administração do Shopping é interventiva na definição das estratégias locais de apoio e dinamização do comércio local, participando em algumas assembleias de freguesia, onde já teve a oportunidade de fazer alguns considerandos para o incremento do Cartão Freguês, criado pela União de Freguesias de Massamá e Monte Abraão. Manuel São Pedro acredita que a grande vantagem na gestão do Shopping seria conseguir um mix comercial que pudesse dar ao conjunto de lojas uma multiplicidade real na oferta, mas o modelo de direito de propriedade dos espaços foi desenhado ainda nos anos 80 e, a marcante diversidade de proprietários, impede o avanço de uma estratégia conjunta.

O administrador, a título de exemplo, referiu a requalificação que foi feita no Fonte Nova, em Benfica, vizinho de um gigante comercial, onde, apesar de alguns momentos de maior fragilidade, se conseguiu impor um modelo único e equilibrado de comércio local de qualidade. O esforço de uma só voz por parte da gestão deste “condomínio comercial” é notório e tem conseguido motivar a concordância, o bom senso e a boa imagem para os visitantes que não imaginam que aqui trabalham algumas centenas de pessoas, e daqui dependem muitas famílias de Massamá e Monte Abraão; na verdade, essa também é a força e o cunho do comércio local.

JEL31 novembro/dezembro 2020
Sónia Firmino

Diretora Jornal Economia Local (JEL)

  • 1

Deixe um comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *