Economia Local Especial edição

Restaurante A Tendinha – Rápida reação e capacidade de reinvenção

Partilhar

Luísa Veríssimo e Didier Santos, são a 2ª geração do Restaurante – A Tendinha -, um negócio de família instalado há 40 anos em Mem Martins, referência da restauração no concelho de Sintra, especialmente conhecido e recomendado pelos pratos de marisco e de peixe. Chegou março de 2020 e os dois irmãos cedo perceberam que a reação tinha de ser imediata. Ao invés de ficarem só recetivos ao impacto económico que se desenhava negativo, à espera de melhores tempos, encararam a realidade com oportunidade de negócio. Os primeiros 15 dias do confinamento serviram para fazer algumas obras de adaptação, trabalhar a base de dados dos clientes e perceber como é que outros países estavam a agir.

Uma das salas da Tendinha passou a espaço autónomo para gestão do serviço take-away e entrega ao domicílio. Apostaram forte e diariamente na divulgação nas redes sociais, o que veio a ser fundamental, e fizeram parceria com duas plataformas de transporte privado por “entendermos que nos traz muita visibilidade e consequentemente novos clientes”.

O momento chave do sucesso do take-away, foi a fantástica mariscada do Dia da Mãe e a adaptação de uma das melhores apostas de sempre – o designado menu económico – ao novo sistema de entrega de refeições. Didier Santos adiantou-nos que o take-away, em determinado momento, foi a única fonte de receita e conseguiu segurar três postos de trabalho. Este novo formato veio para ficar”. Luísa Veríssimo, acrescentou que “evoluímos muito no serviço de entrega fora de portas, estamos agora a aperfeiçoar as embalagens e o cliente percebe que tratamos com muito rigor a questão da segurança.”

Durante estes meses a Tendinha conseguiu motivar os seus colaboradores a desenvolverem novas competências profissionais e sabe a importância que tem sido a disponibilidade de muitos deles em trocar o serviço de mesa pela entrega de refeições ao domicílio: “temos colaboradores connosco há 20 anos e estamos gratos por tudo o que a equipa tem feito, provando que a Tendinha também é a casa deles”.

Todos se adaptaram e a verdade é que o balanço a fazer é bastante positivo. Durante estes meses de incerteza a Tendinha apoiou algumas instituições de solidariedade social e percebeu a importância da reação rápida e da reinvenção e foco do seu core business. É verdade que a formação técnica dos dois irmãos foi uma valia acrescida. Luísa Veríssimo é advogada e a sua capacidade de interpretar todos os cenários legais e aplicá-los rápida e eficazmente favoreceu a reinvenção da Tendinha. Didier Santos, pela experiência comercial de anos e conhecimento do negócio, também fez grande diferença na adaptação à nova realidade.

A Tendinha tem embrenhado o espírito genuíno do comércio local, associado a um dos setores onde a pandemia teve maior impacto. A relação próxima e de anos com os clientes, ajuda a superar os desafios constantes, porque, apesar do contagiante otimismo dos dois irmãos, Didier Santos confessou: “é tudo muito desafiante e o futuro não vai ser fácil. Para já a floresta ardeu toda, tendo sobrado alguns ramos verdes que serão o começo do futuro. Continuaremos a servir com o rigor, profissionalismo e empenho, mas é uma situação inquietante”.

A Luísa acrescenta à conversa a surpresa que os clientes têm quando os veem entregar encomendas: “querem que entremos na sua casa e isto é muito gratificante, só possível nas relações que se estabelecem ao longo de anos e no comércio local. Não nos custa nada fazer este serviço e temos a humildade de encarar as coisas de forma natural. A pandemia tem mesmo de ser contida. É mesmo necessário fechar portas para todos almejarmos um futuro melhor.”

JEL31 – Novembro/Dezembro 2020
Sónia Firmino

Diretora Jornal Economia Local (JEL)

  • 1

Deixe um comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *