Segurança Alimentar Serviços

Digitalização da Restauração

JEL
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EDIÇÃO32 – JEL – MARÇO/ABRIL 2021

Numa forma geral, transversal a todos os setores económicos, o cliente tem acesso rápido e livre a mais informação e conhecimento e isso tornou-o mais exigente. Por imposição da pandemia e mudança de hábitos de consumo o cliente passou a estar interessado em conhecer os deveres e as obrigações legais do espaço, quer o frequente presencialmente ou a ele recorra em modelo de take-away ou food delivery. Neste espaço, porque nos interessa particularmente a tema da Segurança Alimentar, centremo-nos no setor da restauração e similares.

A escolha de um determinado restaurante em detrimento de outro, já não passa apenas pelo custo e qualidade da refeição. Até a envolvência geográfica e a experiência presencial, mesmo que temporariamente, deixou de pesar na hora da decisão. O setor já não pode voltar a um modelo que continue a resistir a toda transformação digital, na sua maioria imposta, é certo, mas que já não volta atrás. O cliente habituou-se à comodidade e conforto das entregas ao domicílio e mesmo quando formos todos livres de comer entre amigos e família nos nossos restaurante de eleição, jamais nos esqueceremos do conforto associado a ter o melhor daquele restaurante na nossa mesa de refeições – a de nossa casa – onde agora começa toda a experiência gastronómica.

Esta nova experiência só é positiva se toda a operação do restaurante for também transformada e adaptada. Na prática, a comida tem de ter um processo de encomenda fácil, preferencialmente de consulta online com recurso a imagens e informação objetiva. A encomenda tem de ser rápida, o packging atrativo, tem de vir quente, cumprindo as normas básicas e essenciais de segurança alimentar.

O zelo por essas normas e regras tem vindo a tornar-se num ponto de avaliação cada vez mais importante no que diz respeito à tal experiência gastronómica. E, sabemos todos nós, que uma critica negativa numa plataforma digital pode até arruinar o negócio, e mesmo que a tanto não chegue, seguramente, não vai ajudar a atrair novos clientes. Presencialmente, ditam as normas de segurança alimentar que uma farda cuidada, as unhas curtas, limpas e sem verniz, o cabelo bem-apanhado e exemplarmente protegido, a correta higienização das mãos, a forma como a equipa executa as suas tarefas, um espaço agradável, limpo, arejado, com transparência e qualidade refletidas no prato servido, transmitem segurança ao cliente e são agora objeto de crítica nas plataformas digitais.

Se antes os clientes iam ao restaurante e se adaptavam às suas condições de oferta e serviço, hoje, o restaurante tem um esforço maior em manter o grau de satisfação e em procurar novos clientes através deste universo digital, podendo atraí-los e conquistá-los, tentando adaptar a oferta e o serviço às suas preferências, nunca esquecendo que cada experiência se pode refletir numa avaliação.

Um recente estudo da SAGE (empresa de software de gestão na cloud) realizado de forma eletrónica, revelou que quase metade (45%) das empresas portuguesas do setor do comércio a retalho não tem qualquer tipo de presença online e que durante 2021, só 35% das PME portuguesas auscultadas diz pretender investir num processo de transformação digital. Estes números preocupam porque demonstram que o setor do comércio a retalho em Portugal não está verdadeiramente preparado para a situação desafiante que vivemos. A transformação digital a implementar é profunda e está diretamente ligada ao lado cultural e social. Conforme avançado por Josep María Raventós, country manager da Sage Portugal, em comentário ao estudo referido, “é necessária uma verdadeira mudança de mentalidades para que as empresas portuguesas compreendam a vitalidade de se digitalizarem”.

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