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Projetos Escolhas reinventam-se para manter apoio a jovens

JEL
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O JEL foi recolher o testemunho de dois dos projetos Escolhas em que a AESintra é parceira e ficamos a perceber como é que um trabalho fundamentalmente de campo, onde necessariamente o contacto físico é/era uma aparente imposição, se adaptou, com grande sucesso, aos novos tempos de confinamento. Durante a pandemia, os projetos Escolhas, geridos pela Associação CIAPA Centro Aeroespacial, nomeadamente, “Inovação Social 4.0 – E7G” e “Inovar 3E – E7G”, passaram a desenvolver atividades através do ensino e intervenção social à distância, implementando, assim, novos recursos e metodologias. Foram utilizadas redes sociais, plataformas digitais, whatsapp e contactos telefónicos, entre os participantes e os técnicos. Estas novas ferramentas de contacto, particularmente utilizadas em confinamento social, permitiram a divulgação de informações, a criação de momentos de apoio ao estudo, o esclarecimento de dúvidas e a realização de desafios vários que promoveram o envolvimentos e a participação ativa dos intervenientes.

Os projetos mantiveram as atividades de robótica e microeletrónica através da plataforma da Cisco, utilizando em simultâneo a plataforma da Tinker Cad onde a oficina física
passou a ser virtual, mas apesar das distâncias, não deixaram de estar em contacto com os jovens durante a execução dos trabalhos. Ou seja, para além de se ser desenvolvido trabalho nas áreas educacional e social, os projetos continuaram a trabalhar na área tecnológica 4.0, com os seus jovens, continuando a apostar no desenvolvimento de competências digitais/tecnológicas, bem como noutras “Competências para o Séc. XXI” (e.g. colaboração, resolução de problemas, competências pessoais, sociais e cívicas), necessárias para o desenvolvimento pleno de um cidadão do mundo.

Os técnicos que, assumindo um comportamento de extrema segurança para anular riscos de contagio, monitorizaram diariamente os territórios de intervenção dos projetos, aconselhando e sensibilizando crianças/jovens na rua, aparentemente “desconfinados”, para a importância de se manterem em casa de quarentena. Ao técnicos visitaram
as residências (moradas facultadas pelas escolas) para levantamento de contactos atualizados de alunos que se encontravam incontactáveis por outra via, por forma a promover
a comunicação direta entre a escola/professores/técnicos do projeto e alunos, acabando por entregar cabazes alimentares em algumas dessas residências.

Os técnicos dos projetos Escolhas tiveram um papel bastante importante no auxílio das direções das escolas na identificação e entrega de T.P.C.(s)/fichas escolares solicitados
pelos docentes, às crianças/jovens sem acesso a equipamentos tecnológicos. Mais uma vez reforçamos que, durante todos estes procedimentos, os técnicos cumpriram e ainda cumprem com as condições/ precauções de segurança impostas pelo Governo, nomeadamente, utilização de luvas, máscaras e viseiras produzidas pelos projetos, com recurso à modelação 3D e respetiva impressão. A cada dia privilegiou-se a utilização do contacto telefónico com os familiares das crianças/jovens como forma de comunicação mais
direta (no contexto de isolamento) para identificação das necessidades individuais. Estes contactos tiveram como foco, essencialmente, a eventual identificação de indicadores de
vulnerabilidade de ordem social na relação com a família, com o trabalho, com a educação dos filhos, etc.

Estes contactos foram e são importantes na identificação clara das necessidades reais da família e/ou criança e jovem. Face aos pedidos de algumas famílias dos participantes
dos projetos, os técnicos auxiliam ainda: na elaboração de processos para solicitação às entidades de apoio a nível alimentar; pedidos de apoios à Segurança Social; trabalho complementar com escolas no auxílio da seleção/preenchimento e entrega em escolas profissionais, de processos de inscrição de jovens para integração em respostas de
educação e formação profissional. Como é apanágio dos projetos Escolhas, há uma constante articulação com as entidades do consórcio por forma a suprir as necessidades
identificadas. O trabalho de parceria é, mais uma vez, uma mais-valia para a intervenção com os participantes dos projetos e suas famílias.

A complementaridade, a partilha, a articulação de recursos, contribuem em muito para a intervenção dos mesmos. A recetividade dos participantes dos projetos tem sido muito
positiva. Um dos constrangimentos sentidos verificou-se na ausência de acesso a equipamentos tecnológicos por parte das crianças e jovens, mas ainda assim, o contacto nunca deixou de existir através dos seus familiares. O envolvimento dos participantes e das suas famílias nas atividades dos projetos tem sido uma peça fundamental para a intervenção do “Inovação Social 4.0 – E7G” e do “Inovar 3E – E7G”, destacando-se a forte adesão o que evidencia a importância dos projetos nos territórios de intervenção. Face à situação vivida no âmbito da pandemia, as equipas técnicas conseguiram encontrar estratégias e metodologias para não interromper a intervenção junto do seu público-alvo, adaptando-se
continuamente às dificuldades que foram surgindo; os projetos tiveram sempre a capacidade de resposta.

Nesta fase ficam algumas aprendizagens e conclusões que valorizam todos os projetos, nomeadamente:
– Os territórios de intervenção contam com os projetos para ajudar a colmatar as diversas dificuldades, sejam elas a nível escolar ou a nível social;
– Existe um forte sentimento de confiança nas equipas técnicas;
– A intervenção dos projetos não pode, de facto, ser estanque e é necessário uma forte capacidade de resiliência para conseguir lidar com as adversidades e um grande poder
de adaptabilidade e por parte das equipas técnicas, face às diferentes problemáticas que vão surgindo; constatou-se que existem ferramentas que nos podem levar a um novo
modelo de intervenção.

JEL28 maio/junho 2020

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