Entrevista secretária-geral Parceiros

CECD – Formação e empregabilidade na deficiência

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Foto – Patricia Madeira, diretora executiva do Centro de Formação Profissional do CECD

O CECD – Cooperativa para a Inclusão, foi fundado em 1976. Acompanha anualmente cerca de 2.200 crianças, jovens e adultos, que precisam de apoios especializados nas áreas da educação, formação, emprego, atividades ocupacionais, saúde, residências e apoio domiciliário. Olga Figueiredo foi ao encontro de Patricia Madeira, diretora executiva do Centro de Formação Profissional do CECD e membro do Conselho de Administração.

O CECD é uma instituição de referência em Sintra; resumidamente qual é a sua grande missão?
A Missão do CECD Mira Sintra consiste em desenvolver serviços de qualidade para as pessoas com deficiência intelectual, multideficiência e outras pessoas em desvantagem, promovendo os seus direitos e contribuindo para a melhoria da sua qualidade de vida.

Foquemo-nos na vertente da formação e empregabilidade; como trabalham essas áreas?
A valência do Centro de Formação Profissional está vocacionada para a qualificação e capacitação profissional e social de jovens com idades superiores aos 18 anos, que manifestem necessidades especiais de formação e integração profissional. No âmbito da nossa intervenção está o desenvolvimento de ações formativas: cursos de formação inicial de Serviços de Reparação e Manutenção; Assistente Familiar e de Apoio à Comunidade; Operador de Serigrafia e Operador de Jardinagem. A integração social e laboral e a qualificação profissional, são os objetivos principais destas ações de formação. O Centro de Formação Profissional também é Centro de Recursos para a formação e emprego, orientado para programas de Informação, Avaliação e Orientação para a Qualificação e Emprego (IAOQE), apoio à colocação (AC) e acompanhamento após colocação (APC), em articulação com os serviços de emprego de Sintra e da Amadora. Em 2018, o CECD passou a integrar o INCORPORA, projeto a nível nacional, cujo objetivo primeiro passa pela integração socio-laboral das pessoas em situação ou em risco de exclusão social, tendo como parceiros a comunidade envolvente e o tecido empresarial.

A integração social e laboral e a qualificação profissional, são os objetivos principais destas ações de formação

Quais os principais desafios e constrangimentos que enfrentam?
No nosso trabalho quotidiano, sobretudo com a pandemia, sentimos pouca recetividade por parte das empresas em receber os formandos em formações práticas em contexto de trabalho e em estágios de atualizações de competências, sem falar nas contratações diretas através do INCORPORA. Um outro grande desafio está associado às contratações diretas, ou seja, quando já não é possível as empresas recorrerem aos apoios à contratação, deparamo-nos com um recuar face a uma efetiva contratação. Há que fazer uma grande sensibilização junto das empresas face à deficiência intelectual, pois é uma deficiência que não se vê, e que numa primeira estância os empresários dizem logo que não possuem informação nem têm tutores com formação e disponibilidade de acompanhamento. Alguns outros constrangimentos por nós sentidos passam pela grande polivalência exigida nos postos de trabalho, assim como, os requisitos que algumas empresas solicitam nas ofertas disponíveis que colocam em desvantagem o nosso público alvo. Exemplo disso mesmo, são o trabalho por turnos e a obrigatoriedade de ter carta de condução.

Qual o cenário ideal de articulação com as empresas?
Necessitamos que as empresas sejam cada vez mais sensibilizadas para a tipologia de deficiência com que trabalhamos, assim como, para o tipo de trabalho útil que conseguem desempenhar. Necessitamos igualmente de uma articulação de proximidade, preferencialmente com um elemento de referência (Recursos Humanos, ou outro).

Quer deixar alguma mensagem ao tecido empresarial?
A grande mensagem que gostaríamos de transmitir aos empresários é que não tenham “medo” de nos abrir as portas e nos deixar dar a conhecer o nosso trabalho e a população com que trabalhamos. É relevante que percebam que a oportunidade de trabalho é um fator de mudança na vida das pessoas apoiadas e das suas famílias, mas também das empresas empregadoras.

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