Empresas/Negócios Entrevista secretária-geral

Grupo Manz: “Juntos vamos pôr Portugal a mexer”

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O Grupo Manz tem diversificado as áreas de atuação desde o seu ponto de partida a partir de Porto Salvo. Tudo começa com o fitness, passando pela formação, pela organização de eventos e, por último, pela produção de vinho em Cheleiros. Margarida Manz, fala-nos da expansão do Grupo ao longo dos últimos 30 anos, sempre ao leme dos destinos da empresa, juntamente com o seu marido – André Manz.

1989 é o ano de arranque da Manz, foram pioneiros no fitness em Portugal, confirma?
O André veio para Portugal para jogar futebol, mas uma lesão impediu-o de continuar. Somos ambos professores de educação física. No final dos anos 80, Portugal ainda desconhecia o mundo do Fitness ao contrário do Brasil para onde o André retornou para receber formação e adquirir conhecimento técnico especializado. No regresso a Portugal começou a formar professores portugueses com métodos de trabalho considerados revolucionários para a altura. O meu marido andou pelo país inteiro a formar pessoas. Somos certificados pela DGERT e temos uma parceria importante e ativa com a Universidade Lusófona ao nível das pós-graduações, em várias áreas, todas elas ligadas à dinâmica dos ginásios.

É nessa sequência de acontecimentos que é criada a Manz?
Sim, em 1992 criámos a empresa que começou por atuar na área da formação e criação de eventos, ambas sempre ligadas ao fitness. Fizemos a 1ª convenção nacional de Fitness em 1993, evento que se repete anualmente desde então, sem interrupções até à data (este ano, devido à pandemia, não se realiza). Esta convenção traz a Portugal os melhores técnicos internacionais do mundo, reúne 3 a 4 mil profissionais durante um fim de semana. É um evento único no nosso país, onde são ministrados cursos, workshops e outras atividades que trazem para Portugal tudo o que de mais atual existe no mercado internacional.

Em Portugal há público para o objeto de negócio da Manz?
Enquanto praticantes de atividade física temos uma taxa de penetração muito baixa em relação a outros países da Europa. Ainda relativamente à convenção que atrás mencionei, apesar de ser um evento técnico e profissional, existem momentos dirigidos ao público em geral, ao consumidor final. Genericamente somos um povo pouco ativo e a dinâmica mais alargada da convenção também serve para motivar pessoas para a prática regular de exercício físico.

Considerando a vossa presença no mercado, qual é a principal linha/guia de atuação da Manz?
Desde que fundámos a Manz, um dos princípios fundamentais da formação é partimos sempre do pressuposto de que não existe formação low-cost. A qualidade da formação é inquestionável. Trabalhamos com cerca de 180 professores/instrutores, organizados em vários cursos. Todo este corpo docente afeto à Manz é composto pelos melhores que o mercado oferece.

Atuam em diversas geografias?
O nosso grande núcleo de formação está em Lisboa, mas também temos representação no Porto, Coimbra, Algarve e Funchal e vamos a qualquer geografia ministrar formação, assim haja essa necessidade.

Depois da formação concluída, acompanham os vossos alunos?
Acompanhamos a carreira de muitos e a nossa melhor prova de sucesso é perceber que ocupam lugares destacados no panorama desportivo, quer pela credibilidade e exigência da nossa formação quer pela competência pessoal de cada um deles. Temos a particularidade de ter nas nossas formações e cursos, jovens que ainda não estão no ensino
superior. Jovens que podem começar pela Manz e depois ingressar num curso superior.

A pandemia mudou-nos a todos, se já for possível fazer um balanço que conclusões a Manz retira desta conjuntura?
Na verdade o mercado continua em expansão, apesar da retração económica generalizada. Há marcas e cadeias de ginásios que querem instalar-se em Portugal. Neste momento só falta as pessoas retomarem a confiança que tinham nos ginásios, porque agora e mais do que nunca, é necessário manter o corpo saudável e reforçar o sistema imunitário com treino e exercício físico. Uma das coisas que mais cresceu durante a pandemia, também na nossa área de atuação, foi o online e o digital. Se é um facto que as pessoas deixaram os ginásios para treinar em casa, também se verificou que quem nunca teve hábitos de treino, ao passar mais tempo em casa começou a experimentar fazê-lo.

Como caracteriza a cultura desportiva dos dos portugueses?
Podia ser mais incentivada e fortalecida. Não se entende que a nível escolar a prática de exercício físico se esgote no secundário. O hábito devia perdurar mais anos. Há pouca oferta para pessoas com 20/30/40 e isso condiciona bastante a prática desportiva. Em Espanha, por exemplo, alguns equipamentos do Estado têm atividades diversificadas abertas a todos os escalões de idade. Está mais do que provado que todos ganham com a prática duradoura de exercício físico; ganha o indivíduo, ganha a sociedade, ganha o Estado.

Projetos futuros, quer falar-me deles?
Uma das coisas que esta pandemia nos trouxe foi um repentino abanão na nossa forma de estar e atuar. A Manz teve necessidade de acelerar o projeto que tinha de formação online que estava previsto arrancar mais tarde. Em dois meses este projeto tomou forma e está ativo. Já conseguimos aferir os primeiros resultados e estamos muito contentes com a aceitação. Nunca tivemos tanta gente em formação como agora. No que respeita à organização de eventos, organizámos alguns com bastante sucesso, mas se me perguntar se é um forma de atuação que veio para ficar, respondo-lhe imediatamente que nem pensar! O presencial e o contacto entre as pessoas é imprescindível.

Para finalizar, a prática de exercício físico pode ser um elemento fundamental para encarar tudo o que esta pandemia vai marcar nas pessoas?
Sem dúvida! Fala-se muito em doenças mentais que eu considero mais preocupantes nas crianças e jovens. Nesta ponto o exercício físico vai ter um papel fundamental. Sei que são controversas algumas medidas que estão a ser tomadas, como por exemplo a não partilha de materiais desportivos, o que quanto a mim não faz qualquer sentido. Não consigo concordar com a privação a que estamos sujeitos….Com esta cultura do medo que acompanha a pandemia, creio que num futuro próximo as consequências destes comportamentos vão ser muito mais negativas do que as do próprio vírus.

JEL30 setembro/outubro 2020

 

Olga Figueiredo

Secretária-Geral AESintra

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