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Flores do Cabo: Ligação e integração na natureza

É um espaço de cozinha local 100% vegetal, catalisador de um estilo de vida mais integrado na natureza. É também um veículo de divulgação e compra de arte contemporânea, com uma área de projetos no âmbito da arquitetura de interior. É um conceito incomum, requintado e diferenciador que durante o mês de setembro vai estender-se a um novo espaço em Colares, com cozinha de produção, consultoria e formação gastronómicas.

Manuela Murça e Nuno Ribeiro, socióloga e engenheiro informático, juntos na vida e no negócio, abriram a Flores do Cabo em 2005. Ali, no Pé da Serra (Colares), desenvolvem um projeto focado nos “produtos e nas pessoas”. Mesmo quando estiveram dedicados às suas carreiras, desenvolveram em paralelo um percurso nas artes, focado na sustentabilidade e no interesse de facultar experiências diferentes no local.

A cozinha gastronómica é a aplicação mais prática do conceito desenvolvido na Flores do Cabo. Para a dupla a “coerência” é a base conceptual de todo o projeto. Esta coerência muitas vezes envolve detalhes mínimos, como por exemplo, a preocupação com o uso de detergentes. Nesta incursão pela sustentabilidade a proposta está em repensar todos os modelos, reduzindo o máximo possível, privilegiando o local, a qualidade e a sazonalidade.

Não é um trabalho de escala nem em escala, é sim de qualidade e de adequação ao perfil dos clientes. A Manuela e o Nuno propõem refeições simples, “claramente gastronómicas”, e não receituários ou dietas. Esta proposta pode ser altamente transformadora numa perspetiva de bem-estar, decorrente daquilo que há muito já fazem e aconselham. Citando Manuela Murça: “incomoda-nos a industrialização da comida, os aditivos e os conservantes.

Aqui criamos o nosso lugar e fazemos as nossas escolhas. Na gastronomia temos uma visão aberta e uma proposta evolutiva. Falamos de alimentação com a consciência de a mesma ser a base da nossa condição”. Ainda durante o mês de setembro a Flores do Cabo vai abrir um novo espaço em Colares. Lá, as várias linhas de negócio vão ser mantidas, mas “outras coisas vão acontecer”. No espaço do Pé da Serra desenvolve-se uma operação de cozinha gastronómica integrada numa galeria de arte. As pessoas estão num ambiente descontraído e tranquilo, a comer, a ouvir música ou a ler.

São mais os estrangeiros a procurar este conceito, mas os portugueses começam a aparecer, principalmente para os almoços de família ao domingo. Em Colares, a dupla vai alargar aquilo que já faz para um trabalho de cozinha de produção que pretende fazer chegar a comida à casa das pessoas ou onde eles quiserem que chegue.

Este modelo de take-away tem algumas nuances inovadoras, podendo ser de entrega diária, seguindo um plano de refeições preestabelecido. Não vai ser, exclusivamente, um modelo de entrega de comida pronta, podendo a pessoa optar só pelas bases da própria refeição.

Esta cozinha, no contexto em que está a ser pensada, está num processo lógico de certificação biológica: “não que seja requisito fundamental, mas
é um argumento de venda que atesta a credibilidade daquilo que fazemos. O recurso a produtos locais de origem biológica, parece-nos lógico que a nossa produção também deva ter a mesma denominação”. O foco na transformação dos produtos locais da Flores do Cabo vai para além da refeição: “produzimos doces, chutneys, molhos, conservas, uma linha de bolachas, manteigas, iogurtes e uma variada linha de pães produzidos com recurso a fermentação natural, etc.” Todas estas propostas vão estar disponíveis no modelo take-away e são 100% biológicas.

Em Colares vai ser possível o avanço para outra área de negócio que passa pela consultoria, formação e apoio a outras unidades de restauração e também hotelaria que começaram a sentir a necessidade integrar nas suas ementas pratos vegetarianos em resposta ao aumento de pedidos. O novo espaço vai abrir em várias fases, sendo a cozinha de produção a primeira delas, a par com a loja e a galeria. Tal como já é possível encontrar na Flores do Cabo do Pé da Serra, ali também vão estar disponíveis para compra produtos locais de Colares, mas também de outras proveniências.

JEL38 . AGOSTO/SETEMBRO . 2022

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