Empresas/Negócios Especial edição

A qualidade protege os audazes

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Legenda foto: Salomé Patrão e Horácio Patrão, proprietários da Padaria Saloia
JEL36 – jan. fev. mar. 2002

O negócio, hoje a Padaria Saloia, nasce há 46 anos na Volta do Duche. Abrir um espaço em Sintra, em plena pandemia, foi um ato heroico ou um feliz investimento? Sabe-se, à data, que foi um salto audaz, dado por quem confia em absoluto na qualidade do seu serviço, numa altura em que o consumo do pão ganhou uma expressividade nunca antes vista.

Horácio Patrão, juntamente com a sua irmã, Salomé Patrão, abriram a Padaria Saloia em novembro de 2021, situada na Rua Dr. Alfredo da Costa. O Horácio é uma figura sintrense com grande
reconhecimento na área comercial e empresarial, já foi presidente da Associação de Feirantes, está muito ligado ao associativismo e à comunidade e foi com grande empatia que deu esta entrevista ao JEL.

Joaquim Viegas Simão (Presidente da AESintra), Horácio Patrão, Gonçalo Patrão e Paulo Teixeira ( Diretor da AESintra)

Abrir um espaço de venda de pão em Sintra e outros produtos regionais foi sempre o sonho da mãe dos dois irmãos, acalentado durante anos, concretizado precisamente numa altura em que a economia estava em retração. Foi também durante a pandemia que Horácio Patrão criou mais um ponto de venda para nove comerciantes na Terrugem.  A produção de pão com chouriço para venda ambulante, começou com um convite à mãe de Horácio Patrão, feito pelo engº. Melo da Comissão de Festas da Vila Saloia, por ocasião das festas em Honra de Nossa Senhora do Cabo.

Nessa primeira experiência os pedidos superaram em muito a capacidade do pequeno forno e o sucesso foi tão grande que a partir deste momento começaram a fazer várias feiras em redor de Sintra, vendendo pão com chouriço, ex libris do negócio, mas também outros produtos de fabrico artesanal. Horácio Patrão começou a trabalhar com os pais aos 26 anos de idade.

Na altura, os seus conhecimentos de serralheiro permitiram adaptar um veículo para a venda ambulante de pão. Hoje, a frota automóvel aumentou para três carros artesanais que circulam entre feiras temáticas, como são as medievais, e outras tantas onde a Padaria Saloia é já residente: feira da Brandoa; feira de Monte-Abraão; feira de Terrugem; feira de São João das Lampas. Antes de chegar a Sintra, a família abriu um espaço de produção e venda no Mercado de Tires, ainda em atividade.

Quanto à loja de Sintra, aberta numa conjuntura difícil para o setor, quisemos saber se foi um ato de coragem, de empreendedorismo ou uma oportunidade que os dois irmãos não quiseram perder. Parece ter sido um pouco das três, conforme confirmámos pelas palavras de Horácio Patrão:

“surgiu a oportunidade de ficarmos com esta loja e tanto eu como a minha irmã decidimos arriscar. Abrimos o espaço em plena pandemia e devo dizer-lhe que tive receio – não se via ninguém na rua”.

Mas a necessidade de expandir o negócio para mais uma loja também surge como a resposta à própria conjuntura que forçou o encerramento das feiras e eventos durante vários meses de pandemia deixando o negócio só em atividade com o ponto de venda no Mercado de Tires.

Durante as piores fases da pandemia a venda de pão “foi uma loucura”. A decisão de abrir a Padaria Saloia “não foi tomada de ânimo leve, mas avançou com capitais próprios e sem recurso à banca”. 70% dos clientes são turistas que na Padaria Saloia podem encontrar, para além do pão simples e com chouriço, pão com outros sabores menos clássicos: torresmos, farinheira e bacalhau e ainda uma alternativa vegetariana, criada por Gonçalo Patrão, filho de Horácio que apoia o pai na comunicação e divulgação da marca.

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