AESintra Segurança Alimentar

“A pandemia é um ‘abre-olhos’ em matéria de Segurança Alimentar”

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O gabinete de Segurança Alimentar (SA) da AESintra gere uma carteira aproximada de três centenas de associados com contratos ativos e para o 1º semestre de 2020 tinha planificado diversas atividades. Estava previsto dinamizar alguns workshops em escolas do concelho, focados na importância das boas práticas em segurança alimentar. Coincidentemente, uma dessas iniciativas passava pela importância da lavagem das mãos. As técnicas de SA da AESintra estavam longe de imaginar a amplitude que esta ação ganharia durante o ano de 2020.

A partir de mês três, o planeta mudou, assim como também mudaram, radicalmente, a interpretação, a importância e a mediatização do conceito de segurança alimentar. Com a chegada do mês de março, instalou-se a incerteza na saúde, na sociedade e na economia. As auditorias obrigatórias aos associados pararam por imposição da Direção Geral da Saúde (DGS), o teletrabalho imposto e/ou aconselhado, precipitou a melhoria e adaptação da documentação anexa ao processo de validação de HACCP.

Durante aquele período a check-list aplicada ao setor da restauração e bebidas foi atualizada, assim como foi renovado o modelo de relatório que tinha permanecido mais ou menos intacto desde 2010, altura em que a AESintra passou a ser entidade capacitada para prestar serviço de SA. Durante estes meses de esforço e alerta, foram realizados vários eventos online, exclusivos a associados, mas também de caráter livre, focados nas novas práticas de SA, na importância dos conceitos, nas obrigações e recomendações.

Estes eventos foram um sucesso em número de participantes o que revela a nova necessidade de esclarecimento e de informação por parte do tecido comercial e empresarial. Chegou maio, o mês do desconfinamento, e tudo mudou. De repente a AESintra assistiu a um “boom” de novas contratualizações do serviço de Segurança Alimentar. Comparativamente ao ano passado, em maio de 2020 fizeram-se tantos ou mais contratos do que no total dos meses de março e abril de 2019.

Se as novas imposições aplicadas ao nível de higiene, segurança e proteção dos espaços e das pessoas foi fator determinante para o acréscimo, é justo e merecido registar-se que a atuação da AESintra durante todo o período pandémico, o apoio prestado, a informação enviada de forma atempada e atualizada, foi outro dos fatores determinantes para esta escolha e confiança dos associados.

“Existe agora uma consciência em Segurança Alimentar que não existia antes da pandemia. Mais do que obrigatória é agora essencial, e passou a fazer parte da equação definida pelo cliente final na altura da escolha por este ou aquele estabelecimento, esta ou aquela empresa”. De uma forma geral, os associados começaram a entender todo o processo de implementação do HACCP como um verdadeiro cartão-de-visita para os seus clientes e/ou fornecedores e não como uma obrigação necessária para evitar multas.

Outra das alterações trazidas pela pandemia, verificada no desconfinamento de maio, foi a procura acentuada pelo consumo local, tradicional e de rua. Falamos de mercearias, minimercados, talhos, restaurantes, peixarias, etc. Todos eles perceberam que o cliente regressava com receios e com outro nível de exigência. Já não bastava a proximidade e o contacto humano – que de resto recomeçou restrito -, era necessário que o cliente tivesse confiança nas práticas de higiene e segurança implementadas.

Neste sentido, a pandemia foi/é um abre olhos. O cliente está muito mais exigente. Já não basta só a qualidade e a referência do serviço, agora, é tão ou mais importante que se comprovem visualmente as boas práticas de segurança alimentar. O cliente final, a par da ASAE, passou a ser um agente fiscalizador. Não tem competência nem intenção de autuar caso não se verifiquem os requisitos necessários, mas perde a confiança no serviço e escolhe não voltar, não comprar; pior, vai dar más referências no passa a palavra e nas redes sociais, onde é quase impossível reverter a situação de uma má critica, devido à rápida capacidade de difusão da mensagem e dos comentários.

JEL31 novembro/dezembro 2020

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